Djalma Carvalho: O Riacho que Nunca para de “Soprar”

Literatura

Eduardo Carvalho Cavalcante

“O sertão é do tamanho do mundo.
Sertão: é dentro da gente.
O sertão é sem lugar”.
— João Guimarães Rosa.

Assim como Guimarães Rosa, um dos mais importantes escritores brasileiros, que imortalizou o Sertão brasileiro em sua grande obra “Grande Sertão: Veredas” (1956), o escritor santanense Djalma de Melo Carvalho também demonstrou que o verdadeiro chão não é o que se pisa, mas o que se guarda dentro de si. Em seus textos e livros, sempre homenageou o Sertão Alagoano e enalteceu a sua cidade natal.

Nascido em Santana do Ipanema, em setembro de 1938, filho de Manoel Rodrigues Carvalho e Maria Lila Carvalho, Djalma trazia em sua ancestralidade duas tradições distintas. Pelo lado paterno, os Rodrigues Carvalho fincavam raízes na zona rural, nas imediações do Riacho Gravatá, onde a agricultura moldava o cotidiano. Pelo lado materno, os Rocha Melo estavam ligados à vida urbana, representados pela avó Bilia e pelos tios Manoel e José Constantino, comerciantes respeitados na cidade.

Enquanto o destino natural parecia apontar para o cabo da enxada, foi a visão dessa avó que mudou tudo. Dona Bilia era uma mulher à frente de seu tempo e enxergou que a verdadeira colheita daquela geração viria do estudo e dos livros. Não aceitava que seus netos se limitassem ao trabalho braçal, sem qualquer desmerecimento a esse tipo de trabalho, mas ela queria algo melhor para eles: um trabalho digno, que não exigisse o desgaste exaustivo da roça. Trouxe Djalma para morar na cidade, e ele abraçou o estudo como quem encontra a própria estrada. Depois, com a mesma determinação, buscou os outros netos, um por um, até que todos tivessem a oportunidade que ela sonhara.

Djalma cresceu numa família numerosa, ao lado de nove irmãos: Gileno (in memoriam), Jarbas, Terezinha (in memoriam), Ivone, Mileno (in memoriam), José Carvalho (in memoriam), Maria das Graças, Aderval e Ademir. Uma prole típica do sertão, onde o pouco se multiplicava e a escassez era compensada pela abundância dos afetos.

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