Colunistas: NEM TODA PROXIMIDADE É AMOR

Literatura

Pe. José Neto de França

O mal raramente entra pela força. Quase sempre ele encontra uma porta entreaberta. E essa porta, muitas vezes, é construída por nossas escolhas, expectativas ou ilusões. Sofremos não apenas pelo que os outros nos fazem, mas também porque insistimos em esperar de determinadas pessoas aquilo que elas nunca prometeram — ou nunca foram capazes de oferecer. Quem ama sem discernimento acaba entregando as chaves do próprio coração a quem sequer sabe cuidar dele.

Também acontece de confundirmos presença com afinidade. Há pessoas que permanecem ao nosso lado apenas porque as circunstâncias as mantêm ali: interesses, conveniências, necessidades ou simples coincidências da vida. E nós, ingenuamente, interpretamos essa proximidade como amizade, lealdade ou amor. Quando as circunstâncias mudam, a presença desaparece, e a dor nos visita. Não porque o amor acabou, mas porque, na verdade, ele nunca existiu da forma como imaginávamos.

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