MINHA BOLA DE BORRACHA

Crônicas

Por Remi Bastos

Nos meus tempos de criança era comum a meninada correr atrás de uma bola de borracha. Lembro-me das minhas diversões com este brinquedo tão abrangente no espaço do saudoso do Grupo Escolar Padre Francisco Correia. Naquela época a violência ainda não permeava o instinto do homem, existia o direito da liberdade, de ir e vir. Os caminhos estavam sempre livres, sem que os incautos os pudessem obstruir ou encurtar o vôo dos pássaros. Natal de 1956, Papai Noel em seu traje típico percorria as principais ruas da cidade, carregando sobre os ombros um saco contendo diversos presentes que seriam entregues nos endereços previamente confirmados. Por dois ou três anos durante as festividades natalinas, eu e alguns amigos acompanhávamos o aquele velhinho em seu percurso, na esperança de que os nossos presentes estariam contidos naquele saco vermelho e que a qualquer momento nos seriam entregues.

Algumas vezes cheguei a me interrogar, por que Papai Noel não presenteia a mim e os meus amiguinhos? Será que não gosta de nós? Ou será que este velhinho é o Papai Noel dos ricos? Nunca esqueci essas minhas interrogações. Mas, o verdadeiro Papai Noel não se esqueceu de mim, ouviu o meu pedido, e certa vez ao consultar o meu sapatinho tão humilde quanto o meu desejo de ser presenteado, às escutas da minha cama, dei com a mão em algo em que naquele momento me fez sentir voando com aquele velhinho que sempre vem, em seu trenó. Eu acabara de ganhar uma bola de borracha de aproximadamente 12 cm de diâmetro nas cores vermelho e preto. Foi uma alegria total, acordei todo mundo com os meus gritos: “ganhei uma bola de Papai Noel”. Na noite seguinte os meus irmãos colocaram os seus sapatinhos debaixo da cama para ganharem também um presente, mas, eu fui o único contemplado, estava feliz.

Minha bola de borracha que tantas vezes foi centro de atração da meninada nas peladas ali no Grupo Escolar, até que um dia para minha tristeza foi atropelada por um caminhão FNM que trafegava pela avenida. Chorei com a nossa separação, pois, fora o único presente que eu havia recebido de Papai Noel. Hoje 54 anos depois, ainda lembro-me da minha bola de borracha, dos amigos e das alegrias que ela nos proporcionou no pátio do velho Grupo Escolar.

Aracaju/SE, 11/10/2013.

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