Esta palavra me faz lembrar algo de bom que ficou no passado, mas, que vale a pena lembrar.
... Seu Oscar Porcino da Silva, um dos nossos bons vizinhos, no início dos anos 70, resolveu arribar para São Paulo levando a família. Everaldo que na época devia está escalado no time dos 17 anos, seguiu com seus pais no caminhão de Taser rumo à capital paulista na tentativa de respirar novos ares. Passado seis meses ausentes de sua terra querida, a saudade logo brotou dos pensamentos de Everaldo, através das lembranças dos banhos e das pescarias com litro no Panema; das andanças pela Rua da Matança, das peladas nos campinhos improvisados e do traçado de cartas na Sede dos Artistas. Everaldo condoído pela saudade fez a cabeça do seu querido pai Oscar para retornar a Santana. O pedido foi aceito e dias depois a família Porcino estava de volta. Logo que eu soube da chegada do amigo, planejei uma visita de boas vindas. A alegria foi total de ambas as partes. As crianças com um sotaque diferenciado já não chamava pai e mãe, era paiê e manhê. Até um urubu que estava pousado sobre o muro da casa de Geraldo Saraiva, o pai de Carlão, Dona Dulce, a genitora de Everaldo, espantada com a presença da ave, perguntou ao filho Everaldo: Filhô que bicho preto é aquele lá no muro? E Everaldo com toda a sua experiência respondeu: Manhê aquilo é uma franga de urubeia. No entanto, o mais interessante estava por vir. Todas as respostas que eu dava para o amigo, simplesmente ele dizia, “BIDU”! Vez por outra essa palavra se repetia. Mesmo eu não sabendo o seu real significado, certa vez cheguei a empregá-la em casa quando minha mãe me fez o seguinte questionamento: Remi você não foi a Escola de Dona Flora hoje? E então eu soltei a palavra, “BIDU”. E a minha velha sentindo-se ofendida, me falou em tom de defesa: Me respeite, caaaaaabra! Foi quando eu resolvi perguntar ao Everaldo sobre o significado da palavra “BIDU”, e a sua resposta foi: ADIVINHÃO.
Mas, eu gostaria de dizer ao amigo Everaldo que as maiores lembranças são aquelas que por menor que seja o fato, sempre respira algo de bom a nos lembrar. O “BIDU” que você trouxe de São Paulo, eu consegui conservá-lo em minhas lembranças, e toda veze que eu ouvir alguém pronunciá-lo certamente que me lembrarei da nossa adolescência, das caçadas no cercado de “Seu Zé Ilia”, dos banhos no Panema, das peladas de rua, dos improvisos que eu fazia em casa para atender as nossas brincadeiras, do jogo de pião em nossa rua, da sua bicicleta Guliver, da sua espingarda soca-tempero, da bondade do seu inesquecível pai Oscar e da paciência de Dona Dulce, do Cine Glória, e aí então, estarei simplesmente me lembrando de você. “BIDU”!.
BIDU!
CrônicasPor Remi Bastos 21/08/2014 - 19h 28min
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