O vento se exprimia por entre as fisgas das janelas emitindo um canto sepulcral.
A noite ofuscada do brilho das estrelas adormecia o seu silêncio ao canto do vento, enquanto la fora, a rua deserta chorava a solidão do luar, despedindo-se do menestrel que se recolhera à melancolia transportando no peito um sentimento nostálgico.
Do meu quarto, conseguia ouvia o estrilar dos grilos nas entranhas de um móvel antigo, como se fosse um coral de vozes humanas, desafinado, a torturar os meus ouvidos. Reservei aquele momento para uma reflexão dos meus dias. Sinti o meu corpo chorar a fragilidade outorgada pelo tempo; minhas forças aos pouco se desvaneciamm cedendo o fulgor da juvenilidade a tudo que resistiu dos meus dias. Onde estão aqueles que me acompanharam e sorriram comigo à sinfonia da música suave e que dançamos juntos no salão grená sob o fascínio da nossa juventude? As lágrimas que me restam deslizam sobre minha face como um regato que se distancia do seu leito para alimentar com suas águas cristalinas um rio que deságua em outro rio. Muitos dos amigos se foram com as folhas de outono, desprendidas de seu leito e levadas pelo vento para bem distante até serem esquecidas por aqueles que as cultivaram e as regaram com a água da gratidão no exalar da fotossíntese de suas existências. As folhas caem, mas nascem outras em seus lugares, no entanto, talvez não tenham o mesmo brilho e o esplendor daquelas que se foram sem o nirvana de dizer adeus.
FOLHAS DE OUTONO
Crônicaspor Remi Bastos 29/04/2014 - 00h 04min
Comentários