O SILÊNCIO DOS PRECATÓRIOS

Antonio Machado

O SILÊNCIO DOS PRECATÓRIOS
Antonio Machado
A novela da divida pública do governo com os funcionários estaduais de Alagoas, chamada de “precatórios”, vem se arrastando ao longo dos anos, e aumentando como uma bola de neve, constituindo-se quase que impagável, haja vista as medidas tomadas, não terem sequer se tornado realidade nenhuma delas.
Agora, com vistas a proximidade das eleições majoritárias, o tema voltou a tona, há alguns meses, e até assanhou os funcionários, reacendendo a esperança de receberem o que lhes é devido, e juntado a duras penas ao longo dos anos dentro de uma economia forçada. O senador Calheiros criou regras, normatizou, porém no fim das contas, colocou um prego dos maiores nos “precatórios” ao normatizar, postergando o prazo, ficando cômodo para o gestor pagador, quando na época, ainda estava, o senador, no balaio do governador, cujas medidas, renderam ao senador, chacotas e dissabores, porém dado seu poderio junto ao governo federal, pode ser que, o prego que ele colocou nos “precatórios” não atinja sua reeleição. Aí, o governador Vilela também se disse que pagaria os pequenos valores aos credores, mas o que parece tudo não passou de balela, e nada foi feito. Veio então o espalhafatoso Presidente Collor, e alardeou que, dentro de seu conhecimento, iria trazer uma empresa japonesa, se a memória não me falha, para comprar todos “precatórios” de Alagoas, e acabaria de uma vez todo problema. Os funcionários alegraram-se, procuram até escritórios advocatícios, a fim de negociar os débitos.
E o pior aconteceu, após os jornais noticiarem com destaque a alvissareira notícia, o silêncio caiu sobre o assunto, e silencio sepulcral, ninguém mais, sequer, tocou no assunto. Por que razão tudo isto? Por que esse silencio diante de um caso tão importante na vida dos funcionários, que tanto necessitam desse dinheiro, e na sua maioria, para tratamento de saúde, enquanto outros já morreram, deixando dividas para familiares, que, como último arrimo, está no recebimento dos “precatórios”, sonho esse que acalentou por grande parte de sua preciosa existência, e que hoje, para muitos, já se constitui o último legado para a família. Será que o governador Teotônio Vilela Filho não se sensibiliza, diante de tantos apelos dos funcionários? Por que ele, como governador, não cria uma política direcionada para resolver de uma vez com essa pendenga? E talvez, governador, isto também muito lhe subsidiaria em sua reeleição.
Sabe- se, entretanto, que o governo tem muitos problemas econômicos a resolver, porém a dívida dos “precatórios” com os funcionários estaduais deve ser prioridade de seu governo, porque foram anos a fio, que eles foram juntando sem poder esse dinheiro tão suado pelo labor de seu trabalho, para num futuro, talvez próximo, pudesse usufruir desse dinheiro. E agora, o silencio vem sendo a marca maior desse tão sonhado projeto de vida de cada um. Quem sabe talvez, ainda, no fragor da campanha, o assunto volte, mas logo arreferecerá, diante do volume da dívida, todos se dobram e silencia. O que fazer? Sinceramente, não sei.

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