Ornamentava uma mesa
Uma mesa desmantelada
Até tacos de tábua faltava
Protegendo ela, estava
O silêncio
Ao lado companheiro
De outrora
Um pequeno banco
Todo sujo
E a perna quebrada
Escondia-se
Para com o povo
Não se comunicar
Encontrava-se sobre a mesa
Um jarro, um jarro solitário
Mais pomposo com seu brilho
Até de vidro era
Dava-se para ouvir
Desesperada
Soluçava para não morrer
Uma rosa
Uma rosa escarlate
Em seu aroma podia sentir
Algo querendo dizer
Não sei porque estou aqui
Não quero permanecer aqui
Minhas pétalas estão caindo
Estão sendo retiradas
Brincando com elas
Mal me quer bem me quer
Destruída estou
Quem deseja ficar desnudada
Para depois morrer
Silêncio
A natureza quer falar
Silêncio
Rosas foram criadas
Para liberdade ter
Olhe para o sol
Todo tímido querendo brincar
Querendo aparecer
Sou rei por excelência
Continuava brincando
Por tras das nuvens continuava
Brincava de...
Esconde, esconde
Sem querer
O sertão matou
Matou o mato
Matou o sapo
Nem o rato escapou
Sobrou apenas o que bebo
Sou o copo de vinho
O vinho que embriagava
Sua consciência
Sua alma
O copo de vinho
Quebrou-se
Sobrou apenas
Um copo de cerveja
Um suporte para o Mundo
Imundo é a efervescência
Dê um mundo louco
Aos poucos vou entendendo
Foi neste quarto
Ao lado deste jarro
Que começou meu primeiro amor
Plantei a primeira rosa
Colhi a primeira flor
Anos de esperança
Esperei
Volto meu rosto
Meu pensamento
Ao passado
Não sabe o quanto dói
O quanto rói
Foi nesta mesa
Sentado em um banco
O mesmo foi meu trono
Com lágrimas perdidas
Caindo nas pétalas coloridas
De uma rosa
Uma rosa amorosa
Um jarro caído
Um jarro partido
Sem prosa pra falar
Morre, morreu
A Rosa e O Jarro.
A ROSA E O JARRO
Poesias
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