Era comum nos bailes dos anos 60 e 70 no Tênis Clube Santanense, os mais abonados conservarem o litro de uísque na horizontal sobre a mesa. Esse afeto ao líquido precioso, tornou-se uma constante nas festas sociais de nossa cidade. E sempre que a sociedade de se fazia presente nos bailes comemorativos ou casuais, lá estava o litro de uísque decorando a mesa, exibindo um estado mais apurado. Nessa época, ainda estudante, desnudo das responsabilidades morais, e, juntamente com alguns amigos, nos bailes de julho, no Tênis Clube, vendo aquelas garrafinhas adormecidas entre refrigerantes e salgadinhos distribuídos sobre as mesas, fingíamos de bêbados e nos dirigíamos àqueles oasis surtidos e convidativos. À medida que cumprimentávamos o líder, imediatamente pegávamos a garrafa de uísque, tomávamos uma ou duas doses acrescidas de gelo, guaraná e salgadinhos. Em seguida, partíamos para visitar outras mesas. As mais frequentadas pela turma penetra durante o baile, eram as mesas de Djalma Carvalho, Paulo Ferreira e Seu Bartolomeu, justamente esta última visitada, em atenção, também, aos filhos César e Iran, que ainda ingênuos na arte de dosar o copo, nos serviam com a maior satisfação.
E assim, esse grupo seleto conseguia vencer os obstáculos festivos, sem perder a dignidade de um bom biriteiro, na maioria das vezes, à custa de uma amizade que cada vez mais se concretizava, através das ações que praticávamos, somente para não termos que ir para cama cedo. Recentemente, por ocasião do lançamento do livro, “Saudade, o meu remédio é contar” do nosso estimado Capiá, na Associação Atlética Banco do Brasil – AABB, após o cerimonial fui convidado pelo anfitrião a sentar-se a sua mesa, onde, gentilmente me ofereceu uma dose da famosa “Novo Rumo”, a qual, no momento encontrava-se em estado de repouso, horizontalmente sobre a mesa, num traje de uísque. Até aí, não havia percebido que aquela garrafinha, enxerida, estava se passando pelo verdadeiro uísque. Foi quando o capiá me alertou: “Negão essa aqui é a Novo Rumo”. “Não era assim que faziam com o uísque nos grandes bailes”? Primeiro blindamos e em seguida sorrimos juntos, naquela noite tão peculiar para o nosso escritor com o sucesso de seu primeiro livro.
Velho Amigo Capiá sou grato a Deus por esta nossa amizade de mais de cinquenta anos, palmeando nessa estrada florida onde os pássaros gorjeiam nas manhãs ensolaradas, como assim faziam na Fazenda Laje Grande, fazendo sorrir o tempo.
Aracaju/SE, 01/10/2014.
UISQUE NOVO RUMO
CrônicasRemi Bastos 02/10/2014 - 09h 17min
Comentários