Da singeleza do meu quarto eu ouvia a sinfonia de tuas águas na vertente da Serra da Micro ondas, buscando espaços entre as pedras e areias adormecidas no teu caminho. Intimidava-me com a força da tua correnteza vazando a Barragem e descendo furiosamente num passeio único, soltando espumas que se perdiam em teu leito manhoso. As velhas craibeiras que margeavam as tuas veredas foram sufocadas pela volúpia de tuas águas barrentas, anulando os encantos de suas flores amarelas para nunca mais sorrir em outra primavera.
Rio Ipanema das manhãs alegres e febris do meu torrão querido. Este rio que tantas vezes desfazendo da minha timidez o desafiava, lançando-me em tuas águas cantantes e desviando-me das panelas e fervedores que se formavam nas correntezas do Poço dos Homens e do Poço do Juá. As pescarias e os banhos dominicais nas praias originadas de tua vazão serão lembrados para sempre em memória de ti. Ah meu rio! Fostes um herói sem a insígnia das tuas proezas, apenas sorristes nas enchentes e te recolhestes na escassez de tuas águas.
Mesmo assim, a tua valentia foi podada pela ganância dos homens, que ao longo do teu álveo construiu barreiras e vomitou imundícies em teu leito vazio e sedento. Silenciosamente minh’alma triste chora ao ver-te desvanecido em tua própria sepultura. As lágrimas que fluem dos meus olhos escoam em minha face como um regato de sentimentos, para juntar-se ao Oasis que sobreviveu à ignorância daqueles que não entendem o significado de tua existência.
Aracaju/SE, 02/06/2011.
OASIS
CrônicasRemi Bsatos 05/09/2014 - 13h 55min
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