LUAR DO SERTÃO

Crônicas

Remi Bsatos

Por ocasião da VIII Caminhada Homero Malta e Floriano Salgueiro ao povoado Pedra D’água dos Alexandres, o ensejo de mais um reencontro festivo e descontraído com os amigos, o aconchego dos anfitriões, e o cenário retratado pela natureza em pleno mês de julho, transformou todo aquele espetáculo em uma peça rara, irradiando o coração dos aventureiros caminhantes com a fragrância da felicidade, numa sensação nostálgica dos momentos que edificamos na juventude, através das ruas e dos lugares que andamos sem nos preocuparmos com o relógio do tempo. O santanense, que vivencia o seu povo, a sua terra, que sorri e que chora nos momentos de fartura e de carecimento, denota uma pessoa enraizada ao seu torrão natal. Imaginemo-nos ausentes e distantes dos mananciais divertidos de nossa terra, numa situação em que a nostalgia faz desabrochar do luar, uma lembrança cativa dos sentimentos extraídos dos acordes de um velho pinho, exaltado por Catulo da Paixão Cearense através da canção Luar do Sertão.
A ocasião lentamente vai absorvendo os nossos sonhos, projetando em nossas mentes os reflexos da vontade de ver de novo e de sentir novamente a aproximação do real. E lá distante, num cantinho aconchegante onde a saudade costuma banhar-se na brisa das noites enluaradas, o seresteiro debruçado ao violão reverencia o momento através dos acordes extraindo do velho pinho, a canção que diz:
“Não há ó gente, oh! Não, luar como este do sertão!” Simplesmente o cantante extravasa o seu sentimento sob a atenção de um público saudosista, que viaja em pensamento querendo trazer para junto de si um pedacinho do seu torrão natal ou algo de bom que o passado apenas guardou. E segue o poeta:
“Oh! Que saudade do luar da minha terra
La na serra prateando folhas secas pelo chão.
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar do meu sertão”.

Nesse momento os raios prateados da lua refletem sobre as águas do regato, esculpindo as lágrimas disfarçadas que brotam dos saudosistas, revelando o desejo de retornar a sua terra querida.
Finalizando a canção o seresteiro com a voz embargada descerra a última estrofe:

“Ai quem me dera que eu morresse lá serra
Abraçando a minha terra e dormindo de uma vez,
Ser enterrado numa cova pequenina
Onde à tarde a sururina chora a sua viuvez”.

E em meio a um mar de saudosismo, o poeta desabafa dizendo assim:

“Santana, Sertão, Saudade,
Saudade que me faz sentir.
Teu nome são sete sinais unidos,
Que juntos são traduzidos
Num sentimento profundo,
Porque também foram sete
As maravilhas do mundo”.

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