AVENTURA QUIMÉRICA

Contos

por Mozart Brandao Barros

Japaratinga a Porto de Galinhas a cavalo.
Seis dias. (15 a 20 de março 2012).
Dois cavaleiros e uma amazona.



Já participei de incontáveis cavalgadas por este Estado. Praia, campo, agreste, beira de lagoa, mata atlântica, sertão, pastagens, serras e trilhas fechadas. Cavalgadas curtas, longas e demoradas. Belas, acabrunhadas, diversas pitorescas e divertidas. Algumas com certa dosagem de emoção. Com certeza participarei de outras tantas. Porém, asseguro pelas características desta última, nunca mais voltarei a cavalgar alguma igual. Nenhuma foi tão aventurosa, com tamanhos óbices, afoita, imprevisível, ousada, periclitante e ao mesmo tempo prazerosa e de preciosa beleza. Todo percurso feito à beira mar. Guardarei para sempre as lembranças desta cavalgada.

Formamos dois cavaleiros e uma amazona. Eu, e um casal amigo. Três cavaleiros de coragem e três cavalos sem medo.

Sabíamos que iriamos encontrar dificuldades. Não imaginávamos tantas. Não contávamos com nenhum carro de apoio ou um planejamento logístico. Fizemos na pura aventura. Esquematizamos a primeira dormida, que foi em Japaratinga no dia 15, depois foi a vontade de Deus. Fizemos mais quatro pernoites.

Só quem conhece equino pode compreender o que é um cavalo atravessar a nado um rio de 946 metros (Tamandaré a Carneiros). Subir em uma jangada, descer escada de dez degraus, acessar ao mar (praia sem acesso) através de uma garagem, entre barcos e carros. Cruzar a casa, passando pela sala de jantar e estar, para finalmente chegar a praia. Entrar e permanecer quieto em um barco de pesca para atravessar um braço de rio. Subir as escadas de um catamarã de passageiros e lá ficar imóvel (assustado) até a travessia da barra. Passar pelo mar com as ondas batendo nos paredões de amparo das mansões beira mar.

Cavalgar em areia fofa, onde as patas afundavam uns 25 cm ou mais. Cavalgar sem saber exatamente onde dormiria, e sem saber quando encontraria alimento para os cavalos. Cavalgar com trecho de quase quatro horas sem encontrar uma habitação, bar, ou ver ninguém. Tudo isso aconteceu.

Cavalgamos do dia 16 (sexta) ao dia 20 (terça) de março. Sempre com todo cuidado na integridade física e saúde dos animais. Foram respeitados, referenciados... Heróis!


Outro registro importante e merecido é a confiança do Himalaia (meu cavalo manga larga marchador) em se deixar levar sem hesitação pelo seu dono. Cavalo com cinco anos (adquiri ainda quando era potro) apresenta total confiança em mim. Se pedir: Himalaia dê um tiro na sua cabeça! Ele com certeza vai perguntar onde está a arma.

Com muitas emoções chegamos ao nosso objetivo. Porto de Galinhas.
Digo: bravo! Bravo! Bravo!
Foi fantástico, maravilhoso e emocionante.
Cavalgada irreal. Quimérica mesmo!
Arrebatadora experiência.

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