Verinha separou-se aos 29 anos, Vinícius, seu marido, diplomata, poeta e boêmio, trocou-a por uma de 19, naquela época o Rio de Janeiro era a capital da República, surgia a bossa-nova, o cinema novo, eram os anos dourados. Verinha para esquecer o drama conjugal, viajou, conhecer sua família nordestina, passou as férias na casa do Tio Mário, irmão de seu pai. Fizeram uma festa em sua chegada. A carioca encantou-se com a cidade, com a praia de Pajuçara, ficou hospedada numa enorme casa à beira-mar pertencente a seu avô, onde morava na época seu tio. Durante os dias que passou conheceu toda Maceió, passeou na Lagoa Mundaú, tomou banho em Bica da Pedra, no Catolé, foi em todas as praias, sempre havia um programa para Verinha. Os homens amaram Verinha, carioca, moderna, separada, acendeu a fantasia na mente masculina, a bela despertou o coração e outros órgãos dos homens. Dançou nos clubes, altamente paquerada por solteiros e casados, recebeu muitas cantadas. Entretanto, o melhor programa era a praia de Pajuçara, água morna, um azul-esverdeado estonteante, nunca tinha visto igual, morava em Copacabana. Toda manhã pegava seu primo Mariozinho, 12 anos, exigia sua companhia de cavalheiro. Ao chegar à praia estendia a toalha, abria a sombrinha, pegava um livro, saboreava a leitura queimando a pele sentindo a brisa suave do mar. Mariozinho ia jogar futebol, os amigos encantados com aquela figura feminina de biquíni, um dos primeiros a ser usado na província, se deliciavam homenageando o Deus Onã. Tudo se acaba, um dia Verinha retornou ao Rio, ao seu emprego no Senado Federal, saiu fascinada com a terra que não conhecia. Não deu para ninguém.
Dois anos depois Tio Mário recebeu um telegrama Western, avisava nova viagem de Verinha, passava o mês de janeiro de férias na casa. Ao desembarcar no aeroporto a família prestou calorosa acolhida, Verinha feliz, alegre abraçava todos, teve um susto quando percebeu Mariozinho, agora um adolescente, quase homem, alto, forte, espadaúdo. Ela abraçou-o, encantada com a figura jovem do primo, “menino como você está bonito”, disse abraçando-o novamente.
Em casa colocaram Verinha num quarto improvisado de uma sala, havia mais hóspedes na casa de Tio Mário, no mês de janeiro, toda família desfrutava a praia da Pajuçara, Tia Virgínia tinha maior prazer em recebê-los. Na hora do jantar uma festa. Verinha não se cansava de olhar e estar junto ao primo querido, agora um homem, ou quase homem.
Quando deu meia-noite Mariozinho acordou-se com vontade de fazer xixi, de pijama foi ao banheiro, atravessou um quarto, jovens dormiam, ao atravessar o segundo quarto, tomou um susto, sua prima estava apenas de calcinha preta dormindo de bruços, andou mais devagar apreciando aquela maravilha, foi ao banheiro, retornou mais devagar admirando o corpo perfeito. Quase não dorme pensando na imagem da prima dormindo.
Dia seguinte na hora do café Verinha olhava insistentemente para o primo, chegou-se perto, falou baixinho, tinha o visto passar para o banheiro, convidou-o para praia. Uma alegria toda família reunida entre sombrinhas, voleibol, banho de mar. A hora do almoço era outra festa, depois jogar buraco, ping-pong. Ao cair da tarde curtir um pôr-do-sol.
Depois do jantar Verinha perguntou discretamente a Mariozinho se ele era virgem, respondeu gaguejando que sim. Ela lhe falou no ouvido, “até hoje, meia-noite vá ao banheiro, estou esperando que você passe”. Mariozinho não conseguiu dormir, ao dar meia-noite, um tanto nervoso, atravessou o primeiro quarto, ao entrar no segundo quarto a prima estava esperando, abraçaram-se, ela dizia, “priminho não é irmãozinho”. Assim foram as 28 noites das férias.
Mariozinho, hoje, muitos anos passados daquelas férias maravilhosas, não se lembra da primeira namorada, nem do primeiro beijo, entretanto, as noites inesquecíveis da prima Verinha ficaram incrustadas em sua mente, em sua alma.
A PRIMA VERINHA
CrônicasCarlito Lima 20/01/2012 - 11h 16min
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