Santana do Ipanema, sertão das Alagoas no ano de 1962. Ainda que longe da Califórnia e do Arizona, tinha as características de uma cidade do oeste americano. A cidade crescia à beira de uma rodovia. Lugar aonde se ia por dois motivos, para rever os seus, ou apenas de passagem. O casario enfileirado de fachadas coloridas. As portinholas das janelas balançando com o vento era como se as casinhas cochilassem sob o sol. Uma preguiça boa descia pela rua principal, levantando poeira. O pó de barro vermelho acabava por ir deitar-se sobre os móveis das casas, dos birôs das repartições. Melancolia no cantar do pássaro na gaiola, o cão latindo no quintal. O cantarolar da negra Bá vindo lá da cozinha. A monotonia quebrada apenas, caso aparecesse um viajante. Se ali chegasse um forasteiro. Se apontasse no horizonte um automóvel, e acordasse a cidade com o ronco do motor. Naquela época só alguns poucos possuíam carros. De modo que a chegada de um carro estrangeiro era imediatamente percebida. As pessoas mesmo dentro de suas casas reconheciam os carros, pelo som que os motores produziam. Identificavam assim, a quem pertenciam.
No bairro Monumento possuía automóvel, o pecuarista Leopoldo Oliveira, uma caminhonete Chevrolet. O promotor de justiça Aderval Wanderley Tenório um Jipe e um Sedan. O empresário Domício Silva, um Candango e uma caminhoneta, os médicos Doutor Jório e Doutor Clodolfo Rodrigues de Melo. Doutora Nícia possuía um Carmanghia, o professor Ernandes Brandão uma Lambreta, Eugênio Teodósio, José Francisco e Milton dos Anjos eram caminhoneiros. Abílio Pereira, Izaías Rêgo, Alberto Agra e Idelzuito Melo eram pecuaristas e comerciantes, também estes possuíam carros. Bem como alguns professores e bancários do Banco do Brasil, Esdras, Elias, Mardônio Brandão, Djalma Carvalho, Zé Pinto entre outros. Santana já dispunha de alguns poucos “carros de praça”, na verdade os americanizados táxis. Entre os taxistas havia o negro Manolo, Zé “V8”, Zé Carlos e Zé Nobre.
A maioria dos filhos de proprietário de veículos moravam e estudavam em Maceió. No mês de julho - mês das férias escolares - retornavam a Santana do Ipanema pra passar as férias, rever a família e participar da grandiosa festa em louvor da excelsa padroeira da cidade, Senhora Santa Anna. Foi numa fria e aconchegante noite do mês de julho daquele ano, que alguns destes jovens reuniram-se no Tênis Club Santanense para deliberarem sobre como preencher, com uma atividade recreativa, aqueles dias de marasmo naquela cidade provinciana. Entre estes estavam, Nenoi, Marcio e Josa Pinto, Floriano Silva, Jonas Pacífico, Zé Panta, Zequinha Caiçara, Praxedes, Zé “V8”, João Neto entre outros. Ainda influenciados pelo grande sucesso do cinema “Juventude Transviada” vivido pelo ator de Indiana, Estados Unidos, James Dean decidiram que o melhor seria promover uma corrida automobilística.
Na verdade pretendiam impressionar as jovens, estudantes normalistas da Escola Santo Tomaz de Aquino. A Praça do Monumento para assistir os jovens santanenses que aqui residiam competir numa corrida de automóvel, com os santanenses que vinham passar as férias em Santana do Ipanema sua terra natal. Era uma espécie de "racha", havia uma Comissão de jurados onde os competidores se inscreviam antecipadamente mediante uma pequena taxa para compra dos trófeus e o que sobrava era comprado de bebida pra depois da competição a comemoração. Tudo muito simples e tem de se considerar que a população da cidade daquela época não passava de cerca de dois mil habitantes aproximadamente. Com o passar do tempo a festa foi ganhando adeptos e novas modalidades dez anos depois já existiam as modalidades: Corrida pedestre, Corrida Ciclística, Corrida de Jegue (porque já tínhamos a praça do Jumento Santana do Ipanema ficou conhecida internacionalmente por causa desta praça que não existe mais) a Corrida Automobilística passou de ser apenas um "racha" e ganhou obstáculos: Os competidores partiam pra competição levando uma garota que era a piloto de bordo, os obstáculos eram distribuidos ao longo da Avenida Dr. Arsênio Moreira indo até a Praça do Jumento que ficava em frente a Caixa Econômica Federal: Obstáculos 1- Passar em cima de uma bexiga (bola de assopro) cheia com o pneu trasiro do carro; 2 - Chtar uma bola de futebol dentro de um pneu; Morder uma maçã pendurada numa árvore; 3- Tomar uma coca-cola ( a piloto de bordo); 4- Abrir um cadeado com um molho de chaves; 5- dar uma volta em torno do carro levando a co-piloto dentro de um carrinho de mão; 6- Encontrar uma bala doce com a boca dentro de um prato de farinha de trigo, entre outras.Tinha que concluir estes obstáculos no menos espaço de tempo. Eis alguns recordistas como campeões por vários anos: João Alano Nóya, "Lata Dágua", Zé Arlindo Oliveira, Nirlando Pereira, Zé Albérico, Abdon Marques o popular "nenen de Zé Farias", Espirro, Dr.Valter Junior, entre outros. Com as novas modalidades tivemos destaques também na corrida de Jegue como o tetra campeão o popular "Cobra" que vencia sempre com o seu jegue "Gaúcho". A corrida pedestre chegou a ter a participação de competidores de todo o nordeste, bem como a corrida ciclista.Não pdemos deixar de citar a juventude do final dos anos oitenta que deram uma incrementada na festa e criaram novas modalidades como a competição de Baralho ("buraco") e sinuca que são realizadas nas dependências do Tênis Club Santanense, com destaque para Aracati, Zé Carlos de Caboclo, saudoso Idelzuito, Zé de Arimatéia estes últimos da velha guarda eram os mais ganhavam. Citamos alguns componentes da comissão organizadora: Professor Rossone, Évio de Carvalho Alves, professor Marcelo Ricardo, Robson popular "cocada", José Antonio Soares Campos popular Xogoió, entre outros. A festa da Juventude completará em 2012 cinquenta anos de existência promete ser uma festa com o júbilo que merece.
CORRIDA NO SERTÃO
Contospor Fábio Campos 17/01/2012 - 16h 53min
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