COCADA E A MEGA DA VIRADA

Poemas

Remi Bastos

Com a Mega da Virada
O santanense se animou
Até o mestre Cocada
Pensando em ganhar só
Convocou Pedo Caboge
Um vidente lá do Jorge
Para espalhar o bozó.

O despacho foi no Jorge
No beiço do Panema
Na tenda do véio Caboge,
O vidente jogou os búzios
Dentro de uma arupemba
Enquanto o Cocada
E seu bigode macambúzio
Aguardava o resultado
Com aquela cara de kenga.

Mas o preto Caboge
Não trabalhava sozinho
Sempre contava com a ajuda
De um simples videntinho
Que na hora do traçado
Pelo painho era chamado
Ajude-me aqui xará Fabinho.

O bozó era jogado
Em cima de uma esteira
Com o Cocada encorpado
Aguardando o resultado
E bebendo a noite inteira,
Ao seu lado o Fabinho
Esperava o Caboginho
Todo vestido de branco
Para lançar o dadinho.

Finalmente o resultado,
As dezenas liberadas
E uma a uma anunciadas
Pelo vidente embrionário,
Enquanto o Cocada nervoso
Anotava ansioso
O anuncio do dezenário.

As duas primeiras dezenas
Foram ditas de uma vez,
Primeiro saiu o 05
E em seguida o 06,
Depois vieram o 28, 37 e 44
E para surpresa o último foi o 56
Distribuídos assim de fato
Formando dois pares de três
05 – 06 – 28 – 37 – 44 - 56 .

Cocada bem animado
Abraçou Pedo Caboge,
Este falou no seu ouvido
Hoje você não foge,
Já tenho aqui preparado
Uma garrafa de marapo
Vamos bater um papo
E aguardar o resultado.

Finalmente o resultado
No dia certo saiu
E as dezenas do Pai Caboge
Com nenhuma coincidiu,
Sendo o produto do teste
Na sequencia apresentados
03 – 04 – 29 – 36 – 45 – 55
Perdendo assim o Cocada
Por números aproximados.

Depois que o Cocada
Viu o resultado do teste
Disse esse fio da peste
Não come mais meu dinheiro,
Já tinha feito um roteiro
Logo depois do almoço
Agolra vou voltar pro Poço
Onde passo o dia inteiro.

Aracaju, 04/01/2012

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