OS TRÊS REIS MAGOS E OS DOZE DISCÍPULOS

Poemas

Remi Bastos

A estrela de Belém
Os três reis magos guiou,
Valtinho, Avelar e João Neto de Liô,
Estes montados em jegues
Partiram rumo ao Oriente
Seguindo a estrela cadente
Para saudar o Salvador.

Levavam em suas bagagens
Ouro, incenso e mirra
E ouvindo a cambaxirra
Cantando no Cerradão,
Os três puxaram um hinário
Seguindo o itinerário
Sem pensar na solidão.

Quando chegaram ao presépio
Jesus já tinha saído
Era um homem crescido
Que pregava na Judéia,
E os três reis magos atrasados
Tomaram um caminho errado
Foram parar em Divinéia.

O tempo foi passando
Jesus formou seu colégio
E sem pensar em privilégio
Convocou seus discípulos,
Pra divulgar as Boas Novas
Com amor, carinho e provas
Deixando de fora o tédio.

Mas, se Jesus fosse José
E tivesse nascido em Santana
A história seria profana,
Seus discípulos eram outros
Todos com tino sertanejo
Sempre com o mesmo desejo
Que a bondade conclama.

Capiá seria PEDRO
E por todos era aclamado
Como o ancião do apostolado,
Tamaquinho, o ANDRÉ
Pregando na Maniçoba
E Pegando a gororoba
Na Pensão do Carié.

João Capela, o TIAGO
Filho de Zebedeu
Que entrou no Coliseu
Pra fazer defensoria,
Lá encontrou seu irmão
O Cheops que era o JOÃO
Anunciando a profecia.

Manoel Augusto, o FELIPE
Que pregou na Ituréia
E contraiu diarréia
Ao comer uma goiaba,
Partiu pro Moinho de Pedras
Só não tomou uma queda
Porque chegou de madrugada.

Marques ex-reverendo
Inserido em NATANAEL
Desempenhou seu papel
Como sendo BARTOLOMEU,
Conseguiu juntar dinheiro
E comprou o Ferrageiro
Que até hoje é seu.

O João TNA
Esta grande criatura
Preocupado com a prefeitura
Em cobrar o que é seu,
Fez seu trabalho não nego
E multou mais de um cego
Dizendo eu sou LEVI, o MATEUS.

Zeneto, o Barão
Homem de pouca fé
Representando o TOMÉ,
Aquele que duvidou
Em Jesus ressuscitado
E só depois de tê-lo tocado
Foi aí que acreditou.

Comendador Malta
E o Júnior Cavalcante
Dois discípulos interessantes
Ambos, filhos de Alfeu,
O primeiro era TIAGO
E o segundo batizado
Como JUDAS Ou ZEBEU.

João do Mato o Zelote
Representando SIMEÃO,
O príncipe da libertação
Curou enfermos e leprosos,
Expulsou os maus espíritos
Com sua fé e no grito
E castigou os teimosos.

Fábio Campos Iscariotes
O JUDAS da Cajarana
Pregava chupando cana
Pensando nas moedinhas,
Mas, foram trinta somente
E este pecador demente
Enforcou-se na cordinha.

Afora os doze discípulos
Surgiam as autoridades
Que com o espírito da maldade
Só pensavam em castigar,
Xogoió o CENTURIÃO
Batia com a bota e a mão
Até o sangue jorrar.

Ivan Rodrigues seria o NERO
Que gostava de cantar
Tocava para agradar
Zecarlos o HERODES ANTIPAS,
Que numa grande mancada
Decapitou o Cocada
No papel de JOÃO BATISTA.

Esta história também
Tem seu lado feminino
Nem mesmo um grande mofino
Deixaria de citar,
Que me desculpem as donzelas
Por ter incluído elas
Nestes versos para brincar.

Lúcia Nobre a Verônica
Lu dos Pampas a Madalena
Esta mulher açucena
Pela beleza de sua fé,
A todas digamos amém
Sem esquecermos também
De Sibele a Salomé.

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