O tempo se encarrega de tudo, é como a locomotiva que segue sem perder o rumo equilibrando-se nos trilhos deixando para trás o último cenário. O velho Brito talvez tenha sido uma locomotiva que fez dos seus trilhos os caminhos da vida. Sua geração compôs canções em uma época onde os acordes maiores revelavam os amigos com quem convivia e a cada estação que parava bebia da água da amizade. Quando ainda jovem a sorte lhe facultou a oportunidade de estudar em Recife no Colégio Americano Batista, teve tudo para ser promovido a um trem bala, no entanto, as estações que teria pela frente o fez retornar a Santana e beber da água do “Panema”. Já em sua terra natal, entre tantas outras funções que desempenhou, algumas são dignas de serem lembradas como parte de seu currículo: foi cobrador de ônibus com privilégio de viajar no lombo da antiga jardineira amparado pela lona que cobria as malas e as caixas contendo os filmes de chanchadas da antiga Atlântida; entregou marmita no Hotel Avenida de Seu Leosinger; foi menino de recado da loja de Seu Manezinho Chagas e ajudante de enfermeiro da farmácia de Seu Carola; foi aprendiz de apalazador de botina e coturno na tenda de Seu Oscar Porcino na antiga Rua do Sebo; vendeu fumo de rolo na “torda” de Seu Luiz Fumeiro em troca de uma vaga de gandula e reserva da primitiva Associação Atlética Ipiranga; também atuou como cabo eleitoral de Amaro Ialdo Falcão e técnico do time de Ciço Doido; foi assistente de Ciço Moco na matança e guia de Corina. Porém, a função que desempenhou com brio total foi como guarda noturno do consultório dentário de Dr. Ivan Pontes, o índio Xocó. Aí contou com o apoio sobre todas as coisas inclusive de bens materiais e espirituais. Ainda investiu como cantor de mesa de bar e não obteve sucesso. Conta que certa vez em uma farra liderada pelo boêmio Moreninho no Bar Bafo da Onça de Miguel Chagas se apresentou para cantar a música “Chã de Estrelas”, primeiro usou a cabeça e tomou logo duas doses de Pitu. Iniciou a canção, mas logo Moreninho pediu que parasse usando a seguinte frase, “A música é boa, mas o cantor não vale a cachaça que tomou”. Brito, Primo ou Menininho é aquela pessoa amiga que todo santanense conhece pelo seu jeito de ser, principalmente de não gostar de pobre. Brito velho esta é uma das formas que encontrei para lembrar e homenagear o amigo, esta figura versátil com capacidade para desempenhar os vários tipos de trabalho que a vida lhe proporciona sem sentir-se envergonhado daquilo que faz. Um Grande Abraço do seu Amigo Remi Bastos.
Aracaju, 17/10/2011.
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