prólogo – preso neste quadro no museu dos novos onde a greve nunca termina e as cores derramadas pelo sol sobre os cajus as pitombas as jaqueiras as jabuticabas na fase terra do poeta da poesia pré-silábica as cores solares sobre a cidade numa cartilha por onde se leem a avenida da paz e da beleza de cruz das almas deságua o rio catolé
1 – a cidade criada no miocárdio da feira do passarinho numa aglomeração de frutas e pernas de moça onde aumentam morosamente acanhados e suntuosos o barulho do trem nos trilhos e as casas de boa-sorte e as ruas coloridas e as praças de bonecos de aço e os becos do comércio e a rua do sol onde nasceu o poeta da poesia pré-silábica e os cinemas e as igrejas às esquinas falatórios habituais de estórias de política e de poetas a gloríola das biografias das flores do vergel do lago e das casas da levada e dos gritos no rei pelé e dos acontecimentos no trapiche da barra corriqueiros pescadores e suas jangadas nas areias da avenida da paz e as ondas violentas do sobral e dos mandantes dos mandados e das escolas os anos se encarregam em transformarem as lagoas e os mares de massayó de maceió de ceió de mas-saió de mar
2 – uma cartilha por onde muitos leem é avenida da paz e o mundo continua como se fosse há dez 20 trinta 50 anos - outro século - exceto maceió seu dinheiro é seu povo hospitaleiro de coração um riso e um bom-dia no olhar dos coqueirais outros se casando crianças nascendo pessoas morrendo a roda viva deixa maceió cheia de casas tontas e muitas vão-se condicionando à beleza e sofrendo de contentamento e liberdade mundaú e manguaba marmundaúguabalagoas não devem satisfações a seu ninguém comer peixe todo dia e crustáceos que vestem a mesa que incitam imigrações emigrações migrações ao paraíso
3 – o povo tem a beleza que merece haverá mesmo no mundo outra pajuçara quanto vale uma praia o sol e as barracas a água de coco-da-baía verde em casas de palhas uma orla de mulheres lindas e praias de areias largas de barcos os votos do povo votos que farão representantes desse mesmo povo não haverá no mundo outra pajuçara
4 – toda estrada dá na praia de cruz das almas dias sucedendo dias levando à praia de cruz das almas as imaginárias e nunca vistas lugares de figuras marinhas de histórias de livros onde a baleia cachalote encontra outras baleias e os pescadores em jangadas atravessam galáxias de dias sucedendo dias de ondas sucedendo ondas levando para os olhos das máquinas de fotografia o dia-a-dia que quiserem enquanto aprisionam a beleza deixa cada vez cruz das almas levar em sua paz porque toda estrada dá na praia de cruz das almas
5 – em jatiúca e ponta verde deitam-se os coqueiros sobre as praias num vaivém e vão continuar arrebentando o quadro em sentido único de vicissitudes à antigas máquinas de guerra usadas pra desmontarem muralhas onde todas as angústias morrem e o pato é pago na feira do passarinho e o cordão vai continuar em volta da academia de letras e do teatro deodoro num movimento oscilatório
6 – o rio catolé de histórias costumam contar novos e velhos traz água catolé e dirá se suas pedras falassem catolé naturalmente narrariam pescarias faustosas de tabuleiros de casas o farol lhe espera as ladeiras e o palácio dos martírios
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