Revendo os arquivos a meu cargo, hoje aposentado, na batalha contra o vírus que ronda o mundo inteiro, como todos os demais, me encontro na praia da Lagoa do Pau, Coruripe, desde março, próximo passado, encontrei no escaninho do tempo, a figura de Pedro Báia, vigia da praça da Matriz, onde o Major tocava o sino, na igreja.
Baixinho, barrigudo, de poucas conversas e caneiro para ninguém botar defeito. À noite, tomava conta da praça e das flores que a embelezava. Não admitia de jeito nenhum que meninos e bagunceiros pisassem seus canteiros.
Além de vigia, fazia bico com os comerciantes da época, como vigilante do comércio. Figura lembrada pela velha guarda. Assim sendo, achava ele que tinha certas regalias junto aos proprietários das casas comerciais.
Até aí, tudo bem!
Como citei em outras crônicas, fomos formados na faculdade da bodega de Tio Manoel Constantino. Minhas irmãs Terezinha, Ivone, Maria das Gracas e o mano Mileno. Já, Ademir e Aderval, na bodega do outro mano Gileno. Aos dez anos, já tinha autoridade de servir no departamento de bebidas, aos cachaceiros pingunços que adentravam o recinto.
O velho Pedro, chegava abusado no balcão da minha área e dizia com a voz embargada: bote uma pra mim seu moleque!
Prontamente o servia, sem nenhum embaraço.
Só que ele não pagava a bebida e caía fora, dando cusparadas. De pronto, comuniquei a ocorrência ao gerente geral e proprietário do estabelecimento, Tio Mané e sugeri, que, como o fato era rotineiro, trocar a misturada, pelo álcool, 42graus. De posse da autorização, esperei o citado indivíduo chegar.
Logo aparece a figura e como sempre, repete o palavriado. Tasquei com gosto de gás, o álcool!
Ele, ao emborcar o copo, quase morre, vomitando. Puxou o birro, sua arma predileta e apontando-a para mim disse: Você me paga! Corri ao auxílio do Tio, que o acalmou alegando erro de percurso. Garrafa errada. Foi o Santo remédio. Nunca mais apareceu na bodega.
Coruripe, 28/12/2020
Bote uma pra mim, seu moleque!
CrônicasJosé de Melo Carvalho 08/01/2021 - 00h 40min

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