CANTO DE CIRCUNSTÂNCIA OU QUASE CORDEL DE MEMÓRIA & GRATIDÃO

Poemas

por Prof. Dr. José Geraldo Wanderley Marques

Prof. Dr. José Geraldo Wanderley Marques declamando o poema

Bebi água do Ipanema
Na Santana onde nasci
Me banhei no São Francisco
e nunca mais esqueci
das feiras e dos cordéis
que ouvi, li, aprendi
nem dos índios fulniô
nem da lenda da fulô
do maracujá. Nem dos circos,
dos ciganos, dos mistérios
encontrados no pavão
misterioso ou no boi que tal e qual
era encantado
nos sertões.
Também nunca me esqueci
do sol de brasa nos verões
nem dos vultos mal-assombrados
nos casarões, nos sobrados
da Santana onde nasci
e onde aprendi a ler cactos
decorando abecedários
de fins de mundo, bestas-feras
e outros bichos lendários!

Deu-se então que eu menino
de água salobra e de pedras
fui jogado para a praia
em busca de outros janeiros
Dei de frente com jangadeiros
curraleiros e outros eiros
e sua ciência do mar
E aprendi o que é ser peixe
vendo pescador pescar
E nunca mais desde então
dei as costas para o mar

É verdade que adentrei
em Mundaús e Manguabas
em Maritubas e outras águas
sempre buscando o saber
dos anfíbios que as habitavam.
Sempre a pescar pescadores
e a coletar negros d’água.

Hoje estou alfabetizado
nas letras do meu país
nas águas do Rio Opara
e nos cantos guaranis
Só me resta ver a aurora
do povo a quem tanto quero
da gente a quem tanto quis!

Dedico este Prêmio de agora
a eles, os que me ensinaram
Ciência contando estórias.
A eles seja toda glória!
E a mim, apenas que eu seja
partícula da sua História!


Poema escrito em Penedo na manhã do dia 28 de outrubro de 2013 e declamado na noite do mesmo dia, no Teatro 7 de Setembro, quando da outorga do Prêmio de Mérito Científico em Etnobiologia e Etnoecologia ao autor do poema.

Dr. José Geraldo Wanderley Marques recebeu o prêmio de Honra ao Mérito da sétima edição do Encontro Nordestino de Etnobiologia e Etnoecologia

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