Colunistas: NO FIM, O QUE MAIS IMPORTA É NÃO NOS PERDERMOS UNS DOS OUTROS

Literatura

Pe. José Neto de França

Há algo profundamente belo — e ao mesmo tempo extremamente delicado — na tentativa de manter uma família unida ao longo do tempo.

Talvez porque a unidade familiar seja uma das maiores virtudes que uma casa pode possuir… e também uma das mais difíceis de preservar. Principalmente quando os membros são numerosos. Porque o tempo passa… as pessoas crescem… amadurecem… seguem seus caminhos… casam-se… multiplicam-se… e inevitavelmente começam a construir universos interiores próprios. Cada pessoa é um mundo. Tem seus gostos, suas dores, suas escolhas, seus afetos, suas convicções. E tudo isso, naturalmente, acaba interferindo naquele conjunto que um dia parecia indivisível.

Minha família sempre zelou por essa unidade. Enquanto meus pais puderam, mantinham todos nós próximos. E mesmo depois que a vida exigiu que saíssemos de casa — pelo trabalho, pelos casamentos e pelas necessidades naturais da existência — jamais saímos do coração deles. O vínculo nunca foi perdido. Vieram os netos, bisnetos, tataranetos… verdadeiras bênçãos que ampliaram ainda mais nossa história. Mas junto com essa multiplicação também vieram novas formas de pensar, novos comportamentos, novos conflitos e diferentes sensibilidades. Algo absolutamente humano. Porque crescer também significa lidar com diferenças que antes talvez nem existissem.

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