Colunistas: A VIDA SEGUE...

Literatura

Por Pe. José Neto de França

Como é angustiante ver uma vida que, desde muito cedo esforçou-se por ser vida para si e para os outros, definhar; “viver” seu crepúsculo, prelúdio para o seu anoitecer.

É degradante, mas faz parte do existir humano.

Enquanto a possível “perda” se avizinha, um ponto de luz nos corações dilacerados “diz” para aqueles que ainda irão batalhar nos dias/anos que lhes restam, não se preocuparem, tanto porque, para muitos que estão declinando, tal anoitecer não será, de fato, noite, mas dia. Como diz São Paulo em 1Cor 15,51b “nem todos morremos, mas todos seremos transformados”. Se caminhamos de fato para Deus, nossa morte não será mais do que uma transformação. Receberemos um “xeque-mate” da vida, mas não perderemos o “jogo”; ao contrário, sairemos vencedores. O que deveria ser “eternamente noite”, será “eternamente dia”.

Minha mãe, meu mais preciosíssimo vínculo temporal, do nada, começou a entregar-se. Perdeu o estímulo; desligou-se de coisas que tanto gostava: ver TV, fazer seus caça-palavras, ler, folhear revistas, manusear brinquedos pedagógicos que colocávamos propositadamente ao seu alcance; sentar-se no banco que fica na calçada de casa e observar a rua e quem por ela passava... etc.

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