Em AL, 43,49% das crianças do 3º ano do fundamental não sabem ler frases

Educação

Do G1 AL, com informações da TV Gazeta

Dados são da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) do MEC.
Estado também apresentou níveis insatisfatórios de escrita e matemática.


Alagoas apresentou um mau desempenho na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (17). Segundo o levantamento, 43,49% dos estudantes do 3º ano do ensino fundamental, série em que termina o ciclo de alfabetização nas escolas, não sabem ler frases.

Esse foi o percentual de estudantes que fizeram a avaliação, em novembro de 2014, e ficaram no nível 1 da Leitura, onde, segundo o Inep, as crianças são capazes apenas de ler palavras com sílabas canônicas (compostas de uma vogal e uma consoante) e não canônicas.

A avaliação mede o conhecimento dos estudantes em três áreas: leitura, escrita e matemática. Na avaliação que mede o nível de escrita, 24,7% das crianças alagoanas que participaram da pesquisa \"ainda não escrevem palavras alfabeticamente\" e \"provavelmente não escrevem o texto ou produzem textos ilegíveis\".

Mas uma boa parte das que fizeram a avaliação ficou no nível 4 de escrita, isso quer dizer que elas podem escrever com diferentes estruturas silábicas, dão continuidade a uma narrativa, mesmo que não consigam contar todas as partes da história, ou incluir todos os elementos da narrativa.

Disciplina mais temida pelos estudantes, a Matemática também não trouxe números positivos para o estado, 45,86% das crianças não sabem fazer operações básicas como soma, subtração e divisão.

Neste nível, espera-se que elas saibam contar até 20, ler as horas e minutos em relógio digital e comparem objetos pelo seu comprimento, entre outras habilidades.

Professor Carloney Alves, diz que as deficiências nas duas disciplinas mais importantes se devem a um conjunto de fatores, inclusive deficiência na formação de alguns professores.



O professor de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Carloney Alves, diz que as deficiências nas duas disciplinas mais importantes se devem a um conjunto de fatores, inclusive deficiência na formação de alguns professores.

?Eles chegam na universidade com as dificuldades trazidas da realidade de conhecimento do ensino médio e levam para as escolas. Hoje os alunos não são mais dessa geração , de apenas o quadro e o giz, ele precisa de recursos didáticos e metodológicos para facilitar a aprendizagem?, explica Carloney Alves.

A Secretaria de Estado da Educação informou que os resultados de 2014 revelam dificuldades encontradas, mas que tem trabalhado para superar e mudar os indicadores da edução em Alagoas, por meio de parcerias e assistências técnicas.

Entenda o exame
Em 2012, o governo criou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), um compromisso dos governos federal, estaduais e municipais para garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas quando concluírem o 3º ano do fundamental. A ANA, que começou a ser realizada em 2013, é feita com os estudantes em duas provas: na de língua portuguesa, há 17 questões de múltipla escolha e três de produção escrita. Na prova de matemática, são 20 questões de múltipla escolha.

Na divulgação dos dados da ANA de 2014, a primeira vez que o resultado do Brasil foi divulgado publicamente, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não indicou quais níveis de cada escala representam aprendizado adequado.

Mas, segundo Janine, apenas os estudantes que não passaram do nível 1 preocupam o governo. \"O nível 1 é francamente inadequado, a pessoa não consegue ler mais que uma palavra. Isso a gente não pode aceitar, tem que zerar. É um avanço modesto, estamos falando só de escola pública. É claro que será desejado que todos cheguem ao nível 4. Mas, a partir do 2, temos uma pessoa que está lendo e compreendendo o que lê\", explicou ele.

De acordo com o governo federal, em 2014 o Brasil tinha 3.294.729 estudantes matriculados no 3º ano do fundamental, considerando as redes pública e privadas, na zona urbana e em escolas do campo.

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