Administração Publica - incompetência ou má vontade

Opinião

por Luiz Antonio de Farias, capiá

Em agosto do ano de 1998 um grupo de aproximadamente 180 agricultores das comunidades Lagoa dos Bois, Rumo, Lagoa da Quixaba, Boa Vista e Lagoa da Umburana, localizadas no município de Olivença, iniciaram um movimento ? encabeçado por este missivista ? em prol do abastecimento d`água, pela CASAL, dos locais mencionados.

Na época foram encaminhadas solicitações de apoio formal ? com aviso de recepção ? ao Prefeito Mailson Bulhões, ao Deputado Estadual Antônio Albuquerque, ao Deputado Federal Luiz Dantas Rodrigues, ao Senador Teotônio Vilela Filho, ao Governador Manoel Gomes de Barros e ao Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Das autoridades recorridas recebemos atenção, apenas, do Gabinete da Presidência da República e do Senador Teotônio Vilela. O primeiro enviou, a este escriba, correspondência afirmando que ?as ações relativas a abastecimento d`água e a saneamento básico deveriam ser encampadas pela Prefeitura Municipal?. Para que fosse dada iniciação ao movimento, o governo federal encaminhou um Manual do Programa de Ação Social-PASS, o qual deveria ser preenchido pelo órgão municipal, em tempo hábil, para que o pleito fosse incluído no orçamento da União de 1999. Dito manual foi por mim encaminhado à Prefeitura ? com cópia para a Câmara de Vereadores ? e de lá tomou destino incerto e não sabido. Deve estar repousando ?no berço esplêndido?, de alguma gaveta empoeirada, até os dias de hoje. Quanto à ação do Senador Teotônio, ele encaminhou nosso pedido, de imediato, ao Dr. Rogério Farias, então Presidente da CASAL e, paralelamente, conseguiu aprovar no Orçamento Geral da União, para 1999, a importância de R$ 22.608.300,00, exclusivamente para o abastecimento d?;água da região sertaneja. Nada obstante o esforço dos abnegados ?homens de boa vontade?, nosso sonho empacou nas malhas da incompetência, da burocracia e da falta de compromisso, daqueles, nas mãos dos quais colocamos todos nossos anseios, e que se mostram solícitos e interessados na época das campanhas eleitorais para, depois de eleitos, virarem as costas para seus desprezíveis munícipes, deixando-os ?a ver navios?.

Inconformado com a falta de atitude, que deveria ser tomada por quem de direito, recorri à amizade pessoal do então Deputado Antônio Carlos Rezende-Cacalo, que demonstrou interesse, e com o apoio da Presidente da Assembléia da época, Deputada Ziane Costa, deu andamento ao processo que culminou com carta, firmada pelo Governador Ronaldo Lessa, em 22.09.2000, endereçada à Deputada, na qual o chefe do executivo afirma que ?referida pretensão será atendida quando for iniciada a operação da nova Adutora Olho D´Água das Flores/Santana do Ipanema, no momento em construção?. A citada obra foi concluída nos idos do ano 2002, quando tinha havido mudança geral nas rédeas dos governos estadual e municipal e da assembléia legislativa, cujos substitutos não deram o necessário andamento e nosso ideal voltou a ?estaca zero? e morreu no nascedouro.

O tempo correu, vários mandatos de prefeitos (principais responsáveis pelo destino da municipalidade) aconteceram e, mesmo sendo eles sabedores da existência do processo iniciado em 1998, como também cientes de nossas dificuldades pela falta d?água, não ?moveram uma palha? no sentido erradicar definitivamente esse caos que nos aflige ano a ano. O ponto culminante de nosso desespero aconteceu na seca por nós enfrentada no ano que passou, quando tivemos que suportar, impotentemente, dezenas de animais fenecerem, pela ausência de estrutura motivada pela falta de água, principalmente.

É entristecedora nossa situação, ao observarmos que nossa região ? talvez a única desfavorecida do município, neste aspecto ? fica a três quilômetros da cidade de Olivença e continuarmos padecendo esse tormento motivado pela carência hídrica e que, para por fim a esse descalabro, bastaria uma ação proativa por parte, inicialmente, do executivo e legislativo municipais, que têm conhecimento ?in loco? desse problema, que vem sendo protelado há bastante tempo, sem que nada seja feito na busca da solução definitiva.

Vale lembrar que 2014 é ano eleitoral, a mesma ladainha vai se repetir, e nós, como eternos eleitores incompetentes vamos, mais uma vez, votar de forma equivocada, e mesmo que seja mudado o cenário do espetáculo os atores vão continuar os mesmos. Fazer o que?

Olivença, jan/2014

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