Desabafo de uma professora santanense diante de um quadro comum em nossa terra!

Opinião

por Jucyelle Wanderley

Bom, e lá vai um desabafo. Hoje eu vi algo que me fez chorar em praça pública, sim, minha consciência de pessoa que tem um teto pra morar e alimento a hora que quiser judiaram de mim e fizeram-me pensar no quanto conseguimos ser mesquinhos e egoístas, no mais pejorativo dos sentidos dessas palavras.

Sabe aqueles meninos que ficam pedindo moeda a todo mundo na praça, que muitas vezes a gente responde grosseiramente ou simplesmente ignora e já associa o dinheiro a droga, achando que os meninos só querem o dinheiro pra isso?! Então, hoje dois deles me abordaram e pediram moeda, eu realmente não tinha (só estava com uma nota de 5 reais no bolso) e disse isso eles, sem nem olhá-los.

Passado uns 5 minutos, quando olhei para o lado, um deles, de aproximadamente 10 anos, estava sentado na mesa ao lado, cantando, com um sorriso de canto a canto(um dos sorrisos mais lindos que eu já vi), com um copo de suco de laranja e um enroladinho, percebi que ele estava olhando para alguém e ao virar vi que a outra a criança estava sentada no chão, com algumas pratas na mão, e o rapazinho que estava com o enroladinho disse: ?Quer??, a criança sentada olhou para as moedas na mão, olhou para o colega e respondeu: ?Dá não?.

Escutar isso doeu demais. Eu não estou aqui para defender os pequenos ladrões que a gente tanto observa nesta cidade, muito menos estou dizendo que devemos pegar nosso dinheiro e entregar a todo menino que pedir. O que eu queria muito que acontecesse é que a gente repensasse um pouco no caos que estamos transformando esse mundo por tanta desigualdade, quando algum desses meninos vierem pedir dinheiro a nós, no lugar de tratá-los como seres inferiores (nossa, que termo pesado! Mas não vamos ser hipócritas, é assim que vejo muita gente se julgando, como ?ser superior? e isso dá um nojo gigante, mas deixa para lá) por que não pagarmos um lanche para uma criança dessa?! R$3,50 em um salgado com um suco não acabariam com o bolso de ninguém, minha gente! E pode ser a única refeição do dia para ele.

E aí, alguém pode estar pensando: Não se deve dar ousadia não, ou então se acostumam, eles que vão trabalhar! E pensamentos assim explicam a porcaria de sociedade em que vivemos. Acreditem, eu nunca fui a favor de certas atitudes da (in)justiça para proteger menores infratores, acho sim que independente da idade deve se pagar pelos atos, e se possível, na mesma moeda, mas o único ponto a que quero chegar é: Boa ação gera boa ação, solidariedade gera solidariedade e desprezo gera desprezo.

É muito fácil ajudar os outros nas campanhas natalinas, mas que tal começar olhando um pouco para baixo e enxergando o tanto de gente que tem por aí precisando só de um minuto de atenção, uma oportunidade ou de alguém que explique em atitudes o que é um pouco de afeto?!

É, o mundo está cada vez mais perdido, nossas crianças estão matando e roubando cada vez mais cedo, mas o que não notamos é que nós mesmos estamos criando os monstros, deixando de dar um pouco de abrigo para os pequenos. Não precisa dar dinheiro, mas dê uma refeição, dê um agasalho, dê um conselho. Nós podemos e nós devemos. Já está mais do que na hora de tirar essa máscara hipócrita de uma sociedade que desvaloriza as minorias e vive de aparência! Só acho!

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