Cheiros e gostos que nos levam

Opinião

por Deyse Nascimento

E, quando já somos adultos passamos a dar valor aos outros cheiros.

Alguns cheiros lembram a infância, como é o caso da sopa da escola ou o gosto daquele picolé de maça que é feito à base de corante, kisuco e gelo. O cheiro do pão de um dos carrinhos do pão ou o gostinho do bolo feito pela vovó e, até mesmo o gostinho do algodão-doce que trocamos pela panela velha ou garrafa que temos em casa.

Já na adolescência, os cheiros e gostos passam a ser um pouco diferentes, mas não deixam de nos trazer boas lembranças quando passamos à vida adulta. É o cheiro de um perfume que usamos no primeiro encontro, no primeiro beijo. Ah, o gosto do primeiro beijo, o cheirinho do perfume daquele garoto. O gosto não só de sentir, mas de escrever no diário o dia a dia na escola, no volley, na natação, com as amigas e em código para quem ninguém saiba. Nossa, é bom lembrar esses cheiros e gostos.

E, quando já somos adultos passamos a dar valor aos outros cheiros, o de café, o da chuva, das matas, daquele perfume caro. O cheiro que não é cheiro, mas um mal cheiro de esgoto, lixo ou quaisquer outros cheiros que sentimos nessa vida tão corrida que uma vida adulta propicia. O gosto daquele arroz e feijão e do suco de laranja.

Mas independente desses cheiros e gostos sentidos hoje, os da infância são muito mais marcantes e remetem a momentos inesquecíveis, onde a responsabilidade da vida adulta nem sonhava em se instalar em nosso corpo e mente. Cheiros e gostos da infância e da adolescência ? gostosos sim -, deliciosos também. Ah, como seria bom se, ao usar aquele perfume, pudéssemos reviver tais momentos. Comer o bolo da vovó sem responsabilidade e só pensando no algodão-doce do rapaz que passa na rua.

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