JOSÉ CARLOS MALTA MARQUES

Crônicas

Por Luiz Antônio de Farias, capiá

Desem,bargador José Carlos Malta Marques

Fiquei deveras lisonjeado pelo convite para participar da homenagem prestada ao conterrâneo e amigo Zecarlos, por ocasião da festa de encerramento da sua brilhante carreira como magistrado do Tribunal de Justiça de Alagoas, por conta de ter atingido a idade limite para o exercício das funções inerentes.

Minha aproximação com a família do homenageado começou através do seu irmão primogênito José Abdon, meu contemporâneo, amigo e colega do Banco do Brasil, que “foi embora antes do combinado”, como costumava enfatizar o multifacetado apresentador Rolando Boldrin, de saudosa memória.

Mesmo sendo originário de duas importantes famílias do sertão alagoano e de ter alcançado o merecido destaque no cenário da magistratura de Alagoas, esse filho de Abdon Marques e de Enedina Malta sempre manteve a simplicidade e o tratamento igualitário para com as pessoas, como princípio basilar de sua personalidade.

Sendo ele de uma geração posterior a minha, nossa convivência, com mais frequência, se deu quando fomos ritmistas da Escola de Samba Juventude no Ritmo, capitaneada pelo meu irmão Francisco Farias, cognominado, na agremiação, como Maestro Tamanquinho.

O tempo passou, Zecarlos foi cuidar da sua carreira estudantil em Maceió ao tempo em que fui designado para trabalhar em Recife, onde permaneço há 45 anos.

No entanto, como diz o poeta Cláudio Vieira – meu cunhado – em suas incursões pela poesia repentista: “a gente sai do sertão, mas o sertão não sai da gente”. Neste caso, existe uma característica no homenageado que se assemelha muito comigo: o amor inquebrantável por nossa querida Santana do Ipanema.

Por conta da fixação residencial em lugares diferentes, nossos encontros ficaram mais acentuados nos meses de julho, quando são comemorados os festejos de nossa Excelsa Padroeira Senhora Santana.

Em tempos idos era reservado um dia, no mês da festa, em que os “forasteiros” participavam de caminhadas pelas serras que rodeiam nosso município. O intuito era de agrupar os conterrâneos longínquos para colocar em dia as reminiscências de outrora. Essas jornadas eram organizadas por nosso artista maior, Remi Bastos Silva, e culminava com uma confraternização movida a muita bebida e muita comida regional, em restaurantes típicos.

Com a cessação dessa aventura foi criado pelos conterrâneos residentes em outras plagas – sem combinação prévia – um ritual que consiste em aguardar na porta da matriz o retorno da procissão de nossa padroeira, momento em que acontece o encerramento dos festejos de cada ano.

Nos instantes finais da celebração só podem ter acesso à matriz, pela entrada principal, o andor com a imagem de nossa protetora, os condutores da charola e as autoridades constituídas. Nessa ocasião eu me prevaleço da amizade, do prestígio e da representatividade do contemplado, para ter acesso ao templo, também, pela via exclusiva, sem a importunação dos “vigilantes” de plantão, designados para selecionar as pessoas determinadas.

Finalizo com a convicção de que estas acontecências deixam em todos nós santanenses um sentimento de que fatos dessa magnitude só ocorrem neste nosso abençoado torrão natal.

Recife, janeiro/2024

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