Assim iniciei o meu domingo, assim também o concluí, ante o Todo Poderoso, aquele cuja glória vale a pena esperar mais que o aguardar do vigia pela aurora, posto que o "Seu amor vale mais que a vida" (Sl 62,4).
Simultaneamente ponho-me a caminhar, como um simples excursionista, com vocação de madrugada, esperando sempre o despontar de uma manhã, de uma manhã dourada cujo sol da justiça em nossos horizontes já começa a despontar.
E no dia que o Senhor fez para nós, vivi-o tão somente para Ele, buscando estar em Sua presença. Desta grande presença fiz-me portador, conduzindo-a a meus irmãos.
Diante destes irmãos, no altar da eucaristia, tenho apresentado sempre a oblação do Povo Santo do Senhor. Trata-se de "dons singelos, incapazes do Seu olhar", porém aceitos de bom grado, a exemplo do sacrifício de Abel, o justo, e dos dons de Melchisedech.
Pelas palavras da consagração, estes dons, O Pai, na potência do Seu Santo Espírito, os torna Corpo e Sangue do Senhor Jesus, e no-los oferece como alimento e bebida para nossa salvação, bem como os dá para a vida do mundo.
No apresentar desta oferenda ou vítima, como sacerdote do Altíssimo, procuro oferecer-me igualmente em união com aquele a quem e para quem ofereço a "Salutaris Hostia", Cristo Jesus. Ademais, na ara do sacrifício, sou cônscio que deverei conformar minha vida à Cruz do Senhor, deixando-me assim fazer imolar.
Ainda, na chama que em meu coração ele acendeu, vejo-me consumir. Deste consumir nasce em mim a certeza de que Ele aceitou o meu sacrifício, o qual não deixa de ser sacrifício do Seu Povo, ao derramar sobre as oblatas e sobre a assembleia reunida em Seu nome, o Espírito Santo.
Por isso, dá-me, Senhor, lábios purificados! Dá-me, igualmente, mãos puras e inocente coração! Dá-me, outrossim, alma, corpo e espírito castos, para que eu não só ofereça a Vítima de Seu agrado, em cada eucaristia, mas também possa recepcioná-Lo em meu ser, vendo-o dignificar-me por tão grande presença!
Possa eu, ante tua majestade e luz, Senhor, ver-me como queres que assim me veja, em minha miséria! Que Tu possas, por tua vinda e até mim, fazer desta indigência e pobreza, um receptáculo de tua misericórdia; dos meus escombros, uma obra nova!
Possa eu, ante tua majestade e luz, Senhor, ver-me como queres que assim me veja
CrônicasPe. Adauto Alves Vieira 09/09/2022 - 15h 48min
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