Sou como a terra sedenta
Em pleno sol de verão
Sou pedaço de tição
Renascido da fogueira,
Sou um rio sem nascente
Sem leito e sem vertente
Sou ano sem estação
Sou estalo de catingueira.
Eu sou o indo e voltando
Sou o fim sem começo
Sou carta sem endereço
Sou o início sem fim,
Sou os quinze meses do ano
Sou gota d’água no oceano
Sou mercadoria sem preço
Foi Deus que me fez assim.
Sou o primeiro de trás
Sou o doçura do fel
Sou a torre de Babel
Desafiando o mundo,
Sou menor que mucuim
Sou bêbado sem botequim
Sou pedaço de papel
Sou um rico moribundo.
Sou Tsunami sem vento
Sou notícia descartada
Sou a conversa calada
Na redoma dos amigos,
Sou mangueira que dá uva
Sou uma reta na curva
Sou uma faca afiada
Eu sou um réu sem castigo.
Sou vento brando valente
Sou coalhada sem o leite
Alegoria sem enfeite
Sou um nutrido carente,
Sou pedreiro sem o prumo
Sou viajante sem rumo
Sou tira-gosto de azeite
Sou sertanejo vivente.
Aracaju/SE, 28/08/2013
SERTANEJO VIVENTE
PoemasRemi Bastos 30/08/2013 - 00h 16min
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