O ensino público em nosso País mudou muito, e infelizmente para pior. Iniciei minha vida de estudante no Grupo Escolar Padre Francisco Correia, só não tiraram o nome do vigário, mas o resto foi mudado tudo, já não é Grupo Escolar. Comecei no Jardim Infantil, fui para o pré-primário, e posteriormente para o primário propriamente dito, isto já não existe mais.
Naquela época tínhamos lição de civismo, que começava na entrada da escola, todos os dias, antes do início das aulas. Cantávamos o Hino Nacional e, durante as festividades cívicas como o 7 de setembro, data comemorativa da Proclamação da República, o 16 do mesmo mês, que marca a data da separação de Alagoas de Pernambuco, e o 22 de abril, data do nosso descobrimento pelo português Pedro Álvares Cabral; hoje ninguém fala mais nesta data. Pergunte a qualquer aluno do chamado Curso Fundamental, e verá que ninguém vai responder. A única coisa boa, foi a inclusão do 21 de abril lembrando o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, cognominado “Tiradentes”, este um verdadeiro herói da nossa Pátria. Mas, para isto, não precisava tirar do calendário a data do descobrimento do Brasil.
Bom a finalidade mesmo desta matéria é falar apenas uma pequena coisa a respeito do nosso amigo “Chico” Soares, que foi meu colega durante todo percurso do curso primário. Naquela época as professoras eram como se fossem nossas mães. O que elas faziam era tranquilamente aprovado pelas verdadeiras mães pois, além de profissionais, a maioria era mãe também.
Fazia parte do currículo escolar um caderno de caligrafia, onde o aluno praticava diariamente para conseguir uma caligrafia de melhor qualidade. Pense na dificuldade tremenda se fazer aquelas letrinhas bem feitas, como manda o figurino. Todo mundo iniciante, era quase a mesma coisa de quando você está aprendendo a andar de bicicleta. Se você aprendeu sabe como era difícil fazer uma curva. Qualquer rua com pelo menos de 50 metros não era suficiente para concretizar essa proeza. Pois é, com caligrafia era a mesma coisa.
E não era só isto! Havia treinamento para escrever com a mão direita e com a esquerda. Confesso, sem querer me julgar melhor do que os outros meus coleguinhas, que eu era bom com as duas mãos. Digo isto porque existia um incentivo das professoras para aquele aluno que fizesse o melhor exercício de caligrafia: recebia um elogio, muito melhor do que um prêmio físico.
Bem, até aí tudo muito bom. Eu me sentia orgulhoso daquela proeza, mas existia um estudante que era o meu calcanhar de Aquiles: CHICO SOARES. Nunca consegui ser melhor do que ele, em se tratando de mão esquerda. Sempre levava a pior, e com ampla lambujem. Ficava calado mas falando pros meus botões: “como é que este menino faz para ser melhor do que eu?” Está vendo que a inveja vem de longe e de pequeno?
Os anos se passaram. Tive e tenho a honra de ser seu amigo durante todo o trajeto de nossas vidas. Aquela passagem tornou-se uma página virada.
Depois de muitos e muitos anos, escrevemos uma matéria para um CD que contava a história da nossa Santana. Ao escrevermos alguns textos do histórico que seria apresentado observei que o Chico escrevia com a mão esquerda! Bom, aí o passado voltou e decifrei porque não ganhava daquele caboclo no quesito “mão esquerda”. O danado, no bom sentido, É CANHOTO!
Ri pra dentro e fiquei satisfeito. Só que não há motivo de muita comemoração, pois cheguei a conclusão que não sou tão inteligente assim! Foram precisos quase 50 anos para que eu chegasse a esta brilhante descoberta! Está comigo ou não, caro leitor? Já sei a resposta: perdi de goleada...
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