Certo dia quando as pessoas acordaram e encontraram uma novidade na praça do centro da cidade. Alguém estava bem alojado em um banco daquele aconchegante lugar. Arborizado, onde os pássaros aproveitavam para exprimirem suas saudações ou lamentações. Certamente felizes porque podem demonstrar livremente suas manifestações. A não ser, que na noite passada, os comedores de aves tenham vindo visitá-los. Mas, essa é outra história.
Todos queriam saber quem era aquela pessoa. Homem? Mulher? Ninguém sabia ainda de quem se tratava, daquela figura humana que chamava a atenção de todos. Uma cidade como outra qualquer. Nem tanto progresso, nem tanto atraso. O fato é que alguma novidade ali acontecia. Todos acordam cedo para trabalhar e nunca há novidades e quando isso acontece a noticia se espalha.
Primeiro passou um idoso ranzinza. E exclamou em voz alta: chegou mais um desocupado. Deve ser um assaltante, um bandido, não tem jeito de gente de bem. Depois passou um homem que gostava de conversar. Falou de si mesmo e nem perguntou o nome do visitante. O capitalista dizia é um estrangeiro que veio espiar para roubar o que é nosso. A pessoa tinha os cabelos longos, um perfil bonito, vestido de calça jeans e blusa xadrez, roupa que homem e mulher vestem. Ninguém sabia ao certo de quem se tratava. Os mais curiosos se aproximavam e não sabiam o que perguntar. Achavam indiscreto indagar sobre sua identidade. Sorridente, exclamava: _Querem saber quem sou? Ao tempo que indagou: Será que sou o novo, o moderno? A novidade?
O novo chegava à cidade. Os arraigados não queriam recebê-lo. Mas, as pessoas que se adaptam às mudanças, encaravam a novidade como algo normal. Inteligentes adaptam-se à novas situações. As pessoas foram se acostumando com a pessoa e deixaram de se preocupar. Esqueceram de cuidar daquela pessoa. Sem cuidados, ela foi deteriorando-se. Foi ficando para traz como os antigos moradores. Algumas pessoas não deram importância ao novo, a novidade. Está tudo muito bom, estou cansado para conhecer alguém ou alguma coisa. Outros, logo se adaptaram. Às vezes aparece algo novo em nossa vida e teimamos em não aceitar. Temos preguiça de acumular mais um conhecimento. Para que? Acabamos do jeito que somos. Perdemos porque é muito bom aprender. Não custa nada prestar atenção no novo. Se for uma coisa boa ou ruim, saberemos com o tempo.
O novo incomoda porque dá instabilidade e insegurança. Pensa-se que se aceitar o novo, vai correr algum risco. E se o novo quiser acrescentar? Talvez ele não queira destruir o antigo. Na teoria do modernismo, a novidade vem para preparar o futuro. Não vem com a intenção de destruir a tradição e sim de atualizá-la. A novidade vem como o visitante da praça. Às vezes incomoda os arraigados. Os que preferem estão conectados com o mundo, recebem as novidades deste mundo instável. Recebem o novo como Carlos Drummond de Andrade. De geração anterior, no entanto, adaptou-se à nova forma de poesia. A poesia depois do modernismo.
Meu verso é minha consolação.
Meu verso é minha cachaça.
Todo mundo tem sua cachaça.
Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres, folha de taioba, pouco importa: tudo serve.
Para louvar a Deus como para aliviar o peito, queixar o desprezo da morena, cantar minha vida e trabalhos é que faço meu verso. E meu verso me agrada.
Meu verso me agrada sempre...
Ele às vezes tem o ar sem vergonha de quem vai dar uma cambalhota,
Mas não é para o público, é para mim mesmo essa cambalhota [...].
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