A VERDADEIRA VALENTIA NÃO SE MEDE PELO PODER DE INTIMIDAR, MAS PELA DISPOSIÇÃO DE ASSUMIR RESPONSABILIDADES

Pe. José Neto de França

A VERDADEIRA VALENTIA NÃO SE MEDE PELO PODER DE INTIMIDAR, MAS PELA DISPOSIÇÃO DE ASSUMIR RESPONSABILIDADES

Por que será que, quando alguém comete um crime — ou manda que outro o cometa, sobretudo quando se trata de algo grave — foge da justiça? Não é curioso que muitos desses personagens gostem de se apresentar como fortes, destemidos, até corajosos? Mas onde está essa coragem quando chega o momento de encarar as consequências dos próprios atos? A verdadeira valentia não se mede pelo poder de intimidar, mas pela disposição de assumir responsabilidades.

Quem foge, se esconde, manipula ou terceiriza a culpa revela, na verdade, uma covardia profunda. A recusa em enfrentar a realidade não é sinal de inteligência nem de estratégia, mas de fraqueza moral. Afinal, se alguém se diz tão convicto de suas ações, por que o pavor diante da verdade, do julgamento e da lei? Não perceber que esse comportamento desmascara a própria incoerência é, talvez, o maior dos enganos.

Por outro lado, causa inquietação perceber que a justiça, tantas vezes, consegue resolver questões extremamente complexas e, ao mesmo tempo, permite que crimes evidentes, por vezes até simples de elucidar, se arrastem ou sejam esquecidos. A quem interessa essa lentidão seletiva? Quem ganha quando a verdade é adiada e a responsabilização se dissolve no tempo? Essas perguntas não são meramente retóricas: elas nos obrigam a refletir sobre os mecanismos do poder, da impunidade e da justiça que desejamos construir como sociedade.

Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor

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