O ESCRÚPULO DA MORTE… OU A MISERICÓRDIA DA VIDA?

Pe. José Neto de França

Há pessoas que vivem como se estivessem condenadas antes mesmo de serem julgadas. Olham para si, enxergam apenas suas fragilidades e concluem que Deus já não pode amá-las. Mas… quem lhes disse isso? Foi Deus? Em qual página do Evangelho Jesus rejeitou alguém que o procurou com sinceridade? O escrúpulo tem essa capacidade: fecha os olhos para a misericórdia e abre a porta para a morte da esperança. A misericórdia faz exatamente o contrário: abre a porta para a vida, porque recorda que ninguém é excluído do amor de Deus por causa daquilo que sente, da sua história ou da sua condição.

Deus sabia quem você seria muito antes de você existir. Conhecia suas lutas, seus medos, suas dúvidas e até aquilo que hoje o faz sofrer… e, mesmo assim, quis que você existisse. Então… por que acreditar mais na voz que o acusa do que na voz daquele que o criou? O demônio humilha, acusa e leva ao desespero. Deus corrige, mas nunca deixa de amar. Os sentimentos mudam, as emoções oscilam, as feridas confundem… porém a Palavra de Deus permanece. A dignidade de um filho nunca depende daquilo que ele sente, mas do amor daquele que o gerou.

Então… qual voz você vai escutar? A do escrúpulo, que insiste em dizer que não há mais salvação para você? Ou a da misericórdia, que o convida a levantar-se mais uma vez? Jesus nunca fechou a porta para quem o buscou de coração sincero. Pelo contrário, foi sempre ao encontro de quem estava caído para devolvê-lo à vida. Enquanto houver um coração que procure a Deus, haverá esperança. Porque a misericórdia divina será sempre infinitamente maior do que qualquer pecado… e infinitamente mais forte do que qualquer desespero.

Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor

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