manoel augusto de azevedo santos
Santana está em festa, relembrando o dia da sua emancipação política ocorrida a 134 anos, conforme a Resolução Provincial nº 681 de 24 de abril de 1875, razão suficiente para agradecer a Deus por existir, por ter sobrevivido até hoje, por respirar esse ar sertanejo, que já não é tão puro quanto o foi a 134 anos. Ainda assim, sinto-me no dever de e também feliz em viver mais um dia tão importante para essa terra, cálida, até seca mesmo, em tantos dias de cada ano, mas também acolhedora e produtiva, quando lhe dão o tratamento justo e merecido. Parabéns Santana do Ipanema! Feliz Aniversário!
Félicitation!
Congratulazioni!
Happy anniversary!
Herzlichen Glückwunsch!
Pazdravlia-iu!
Mabruk!
Omedetoo!
Shéngri kuàilè!
Em quantos idiomas eu possa me expressar, ou simplesmente na linguagem muda do meu coração, mas que guarda profunda fidelidade ao sentimento nativo de amor filial.
Espero, nesta minha saudação, não denotar qualquer ímpeto de hipocrisia, menos ainda, resvalar para o lado chocho do pessimismo. Não é esta a minha intenção. Todavia, o histórico biográfico de nossa terra não nos deixa opções. Se realmente desejamos ser sinceros, só nos resta falar claro e ao bom som! Não me refiro ao tamanho da nossa cidade, menos ainda, ao total da sua população - essas medidas são diminutas e até insignificantes. Até porque, “tamanho não é documento”, na medida em que tudo, ou quase tudo, deve ser avaliado pela sua relatividade. Podemos ser uma pequena comunidade, desde que, comparativamente aos nossos recursos potenciais e as nossas demandas, conquistemos equilíbrio sócio econômico, elevado IDH (educação, saúde e segurança), autocrítica política e consciência ambiental. Em resumo: QUALIDADE DE VIDA. Entretanto, nada disso nós temos ou muito pouco conquistamos nesses 134 anos de vida adulta, sem falar nos 88 anos da então Freguesia de Santa Anna da Ribeira do Panema, do nascimento em 1787 ao término da sua adolescência em 1875.
A nossa terra sempre ficou na dependência das decisões políticas tramadas, outrora nas casas-grandes dos engenhos e, posteriormente, das usinas e, mais recentemente, nas suítes de hotéis de luxo ou nos gabinetes hermeticamente fechados e bem almofadados. O resultado dessa política discricionária está aí para todos verem e sentirem – o desastre social e econômico que é o nosso Estado. Santana do Ipanema, como, de resto, todas as 102 comunidades coirmãs, sofre como filhas órfãs. É de se indagar onde estão os recursos naturais deste Estado que é o “filé do Nordeste”, no dizer popular de um ex-Governador alagoano, ou ainda desta “terra que nossa Senhora reservou para refrigério da pobreza do Nordeste”, como dizia minha avó e tantas outras avós visionárias, ansiosas pelo progresso. O que temos para comemorar hoje, 24 de abril ou em 16 de setembro quando se comemora 192 da emancipação de Alagoas? Será que até setembro atingiremos o IDH médio brasileiro? Ou ostentaremos como hoje o pior do Brasil? E Santana, como fica nesse quadro? Fica ficando, porque a dimensão da representação política não se traduz em ações objetivas em benefício das comunidades que a elegeram.
O que se vê é a luta ferrenha, desleal e destrutiva pela manutenção do poder. Pela prática comum nas campanhas políticas, fica clara a compra de votos para se obter um mandato a qualquer custo. A Gazeta de Alagoas trouxe recentemente a lista dos municípios que estão sob investigação da Polícia Federal. Que exemplo os nossos políticos estão dando aos jovens, aqueles que num futuro próximo dirigirão os destinos do nosso Estado e dos municípios alagoanos! Já não temos quase nada a preservar no nosso meio ambiente, destruímos tudo e continuamos destruindo o que teima em nascer. Na vertente cultural, o pouco que existe é devido à tenacidade e teimosia das pessoas mais humildes, que ainda insistem em cultivar os valores herdados dos seus antepassados. Lutamos por uma educação de qualidade e nela situamos a implantação de uma Escola Técnica, leia-se CEFET. Por enquanto, como diz a gíria: vamos continuar querendo... E aí, o que fazer? Só nos resta comemorar... não sei bem o que, mas, que seja...
MAAS
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