Você pega o celular para responder uma mensagem. No caminho, vê uma notificação, abre o Instagram, assiste a um vídeo, responde outra pessoa e, alguns minutos depois, percebe que não lembra mais o que foi fazer no celular.
Entra em um cômodo da casa e para no meio do caminho: “O que eu vim buscar mesmo?”
Começa a escrever um e-mail. Antes de terminar, chega uma mensagem. Enquanto responde, lembra de uma conta que precisa pagar. Abre o aplicativo do banco, vê outra notificação e abandona o e-mail pela metade.
À noite, decide assistir a um filme para descansar. Mas o filme está na televisão, o celular está na mão e a cabeça está na lista de coisas que precisam ser resolvidas amanhã. O filme termina e você percebe que esteve ali, mas não sabe contar direito o que assistiu.
No trabalho, lê o mesmo parágrafo três vezes. Em casa, esquece onde colocou a chave. Adia uma tarefa importante durante dias. Começa uma coisa e termina outra. Tem a sensação de estar ocupado o tempo inteiro e, paradoxalmente, termina o dia perguntando: O que foi que eu fiz hoje?
E isso começa a incomodar.
Por que estou tão esquecido?
Por que não consigo terminar nada?
Por que minha cabeça não para?
Será que eu tenho TDAH?
Talvez você já tenha feito essa pergunta.
Talvez alguém próximo tenha feito.
Talvez tenha visto vídeos nas redes sociais descrevendo comportamentos tão familiares que, por alguns minutos, parecia que estavam falando exatamente sobre você.
Foi observando cenas como essas que uma pergunta começou a me acompanhar: se distração, esquecimento, procrastinação e dificuldade de concentração podem ter diferentes explicações, por que estamos tão rapidamente interpretando esses comportamentos como TDAH?
E foi dessa inquietação que nasceu um livro.
Sim, eu escrevi um livro com um título que provavelmente vai provocar algumas pessoas:
Por que tudo é TDAH? O papel do ambiente na concorrência de estímulos.
O título não pretende dizer que TDAH não existe. Existe. É uma condição do neurodesenvolvimento que requer avaliação cuidadosa e não deve ser banalizada justamente porque é real.
A pergunta que proponho é outra.
O que acontece quando olhamos apenas para a pessoa que não consegue prestar atenção e deixamos de olhar para o ambiente no qual ela está tentando prestar atenção?
Vivemos cercados por estímulos que solicitam respostas continuamente. Telas, mensagens, notificações, vídeos curtos, demandas profissionais, informações, sons, interrupções e a expectativa de estarmos disponíveis quase o tempo inteiro disputam um recurso limitado: a nossa atenção.
Por isso, talvez antes de perguntarmos apenas por que eu não consigo me concentrar?, exista outra pergunta que mereça espaço:
O que está disputando a minha atenção?
Foi dessa pergunta que comecei.
E foi tentando compreendê-la que nasceu Por que tudo é TDAH?.
Talvez o livro tenha um título sobre TDAH. Mas, no fundo, ele nos convida a conversar sobre algo que diz respeito a todos nós: como estamos vivendo e para onde estamos entregando a nossa atenção.
Espero que tenham uma boa leitura!!
Pré-venda liberada no site da Amazon.
Em breve, teremos lançamentos em algumas cidades.
Abraços
Luciene Amaral da Silva
Psicóloga e Pedagoga
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