Santana do Ipanema - domingo, 25 de fevereiro de 2018
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01/02/2018
DARRAS NOYA
João Neto Félix Mendes


Darras com a sua inseparável máquina fotográfica. Foto do seu acervo pessoal. Acervo digital de João Neto Felix Mendes.
Darras de Albuquerque Noya, nasceu em 25.10.1917, na cidade de Pão de Açúcar. Filho de José Rodrigues Noya e Antônia Rosa de Albuquerque. Família permaneceu na cidade até os seus quatorze anos.

Nos anos 30, família mudou-se para Santana do Ipanema, onde Darras viveu até a sua morte. Nesse período, inicialmente exerceu a atividade de comerciário, depois ingressou no serviço público, como servidor do Departamento dos Correios e Telégrafos.

Assumiu o cargo de telegrafista em Maceió AL, onde permaneceu por alguns meses. Em seguida, foi transferido para Santana do Ipanema, para exercer o cargo de Agente postal telegráfico (Chefe dos Correios).

Casou-se em 1939 com Marinita Vieira Peixoto, professora que chegara a Santana do Ipanema juntamente com outras 25 professoras nomeadas pelo Governador do Estado para revolucionar e dinamizar o ensino local, além mudar os destinos da sociedade santanense e de muitos rapazes da época. Muitas se casaram aqui na terra. Após o casamento passou a assinar Marinita Peixoto Noya. Da união nasceram dois filhos: Jose Peixoto Noya e Nestor Peixoto Noya. Marinita foi professora e diretora do Grupo Escolar Padre Francisco Correia.

Em Santana, Darras dedicou-se a diversas atividades ligadas às artes e às tradições. Integrou a banda jazzística “Seresteiros do Sertão”, como percusionista do grupo. Bastante integrado à comunidade, esteve presente a inúmeras manifestações artísticas e culturais da sociedade santanense.

Telegrafista por excelência, também exercia o rádio amadorismo como atividade de lazer. Atividade também exercida por seu filho Zé Neto. Ambos tinham habilidade incomum no manuseio da digitação do código morse. A comunicação através da telegrafia requer concentração e apurada acuidade visto que o alfabeto é simbolizado pela mistura de bips sonoros longos e curtos produzidos por um artefato metálico com uma tecla digitadora.

O telégrafo é um sistema concebido para transmitir mensagens de um ponto para outro em grandes distâncias, utilizando códigos para a rápida e confiável transmissão. As mensagens eram transmitidas através de um sistema composto por fios. Telégrafo é um sistema que foi criado no século XVIII com o objetivo de transmitir mensagens de um ponto para o outro, através de grandes distâncias.

Os telégrafos usavam códigos para que a informação fosse transmitida de forma confiável e rápida. O principal código utilizado pelos telégrafos foi o código Morse, que surgiu com a criação de telégrafo elétrico na década de 1830. Samuel Morse criou e registrou a patente do telégrafo no ano de 1837.

O telégrafo foi o principal sistema de comunicação à longa distância nos séculos XIX e começo do século XX. Foi muito utilizado por indústrias, governos e até mesmo pelas forças armadas de diversos países em momentos de guerra.
Com o surgimento e disseminação do telefone, principalmente na primeira metade do século XX, o telégrafo foi sendo preterido.

Em 1960 foi inaugurado serviço de difusão com alto falantes distribuídos pela cidade, durante a gestão do Prefeito Hélio Cabral. A direção dos trabalhos estava a cargo de Darras. A aparelhagem era ligada com o prefixo musical “Canção de Setembro”. Além dos informes do Município, eram divulgadas músicas, notícias e, eventualmente, programas de calouros. Na lida diária, iniciava o serviço de auto falante com seu estilo próprio: “Com esta característica sonora, entra no ar a “A Voz do Município” (Festas de Santana, Djalma Carvalho, 1977, pg. 80)

Homem intensamente dedicado às artes integrou elenco dos músicos da Filarmônica Santa Cecília, nos anos 30, sob a regência do maestro José Ricardo Sobrinho (Um Mágico da Música. Maria do Socorro Farias Ricardo.1997. pg.29) Inclusive, em parceria com o maestro José Ricardo, compôs várias marchas carnavalescas. Logo abaixo esta descrita a letra do frevo canção “Da Cor do Brasil”, composta pela dupla.

Integrou equipe de associados do clube de serviços Rotary Clube Santanense, importante grupo filantrópico de prestação de serviços ao povo santanense, conforme sua carteira de associado de 1969. Atuou também no Educandário Escola Santana, como diretor de disciplina, na gestão do Diretor Floro Araújo Melo.

Participou de várias peças teatrais, dirigidos por Augusto Almeida, juntamente com outros participantes, dentre eles; Albertina Agra, Geraldo Monteiro, Fernando Nepomuceno Filho, Sargento Barros, Eluzia Gomes, Cristália Queiroz, Lourdes Santana, Cleusa Pires, Raquel Freire, Alberto Agra, Margarida Falcão, Maria de Lourdes Agra, Maria da Luz Oliveira, José Melo, Everaldo Batista, dentre outros. As peças foram exibidas no auditório, então existente nos fundos do prédio da prefeitura municipal, no palco do cinema de Zé Filho, Cine Glória e salão de festas da cooperativa agrícola nos anos 50.(Caminhada, Djalma Carvalho,1994, pg. 31).

Destacava-se também nos esportes, praticando voleibol. Nos carnavais era o folião fervoroso, destacando-se dos demais. Abaixo, ilustramos o folião em plena atividade no carnaval santanense com a alegoria “Auto Escola Brasil”.

Perspicaz, seu passatempo predileto era colecionar lembranças. Anotava curiosidades, letreiros incorretos e quaisquer fatos incomuns eram dignos de sua atenção e curiosidade. Dedicou especial atenção à filatelia e a numismática. A fotografia era-lhe especial e sua máquina de fotografar acessório inseparável. Ninguém fotografou tanto a terra que o acolheu; os monumentos, o povo, os costumes. Colecionador meticuloso, acumulou acervo numeroso e diversificado de Santana do Ipanema, tornando-se referência da história fotográfica da terra para historiadores, curiosos, escritores e pesquisadores.

Em sua homenagem, com justa razão, seu nome foi dado ao Museu dos Santanenses; “Museu Histórico e de Artes Darras Noya” na gestão do Prefeito Genival Tenório, 1977-1982. O Museu Histórico Municipal foi criado na gestão do Prefeito Hélio Cabral em 12.09.1959.

Deixou marcada a sua presença, pela dedicação com que rotulava, classificava e arquivava cada momento vivido. Dotado de argúcia incomum e elevado senso crítico, guardou reminiscências como se fora relíquias do baú existencial. Afeito ao exercício da comunicação comprazia-se em exibir suas preciosidades.

Deixou saudades quando concluiu sua coletânea de instantes e partiu. Jamais será esquecido. Seu nome esta imortalizado, pois mesmo não tendo nascido nesta terra, foi um “Santanense” de fato. Fervoroso cultor de história desta terra e desta gente. Histórias que registrou com abnegação, paciência e paixão em cada fotografia que guardou e em cada lembrança aparentemente inexpressiva que cuidadosamente conservou. Foi uma verdadeira ponte de ligação entre as gerações do século XX.

Faleceu em 1979, após quase meio século de convívio com os santanenses.

Frevo Canção “Da Cor do Brasil” (José Ricardo Sobrinho/Darras Noya)

Garota Bonita
De cor morena
Cor da Iracema
Cor do meu Brasil!
És bem cativante
Bela e fascinante
É muito mais linda
Que as tardes de Abril

Eu Quando te vejo
Garota bonita
Com laços de fita
Acho-a divinal
Cabelos bem pretos
Semblante risonho
Bem fantasiada
Para o carnaval.



Darras, folião fervoroso e criativo no carnaval santanense. Foto do seu acervo pessoal. Acervo digital de João Neto Felix Mendes.

Discurso de José Peixoto Noya (Zé Neto) proferido na solenidade de reabertura do Museu Histórico e de Artes “Darras Noya”, na gestão da Prefeita Renilde Bulhões, período de 2008-2012.

Gostaria de externar, nesta oportunidade, a minha alegria em estar presenciando a reabertura desta casa de cultura que leva o nome do meu pai Darras Noya, um santanense que aqui não nasceu, mas que, por muitos anos, incentivou e participou da cultura em nossa terra.

Eu diria que não há caminho mais importante do que aquele que nos leva em direção ao futuro, pois este é o caminho que os jovens seguirão durante o processo de crescimento e de amadurecimento. Este será um caminho repleto de promessas e descobertas, entusiasmo e esperança, se oferecermos o lenitivo.

Este museu é uma luz guia que deveria estar iluminando o caminho de nossos jovens. Um museu não é somente um prédio com muitas salas e coisas antigas. Ele é um repositório de ideias vividas e consagradas e obras notáveis. É um lugar em que armazenamos o conhecimento, a história e a beleza, um local magnífico que conta a história das tentativas do homem de iluminar a existência humana. Ele guarda o nosso passado através de manuscritos, objetos, fotos, e de muitas outras maneiras.

Um povo sem passado não tem história e esta casa foi criada há 50 anos, pelo então Prefeito Hélio Cabral de Vasconcelos, justamente com a finalidade de preservar o que vivemos e como vivemos. Infelizmente, durante muitos anos, funcionou apenas como uma casa de guardar coisas velhas, quando na realidade, esta “velharia” representa dignamente o que conseguimos ser.

Senhora Prefeita: o povo santanense está de parabéns, com este ato de reabertura do nosso museu histórico, diga-se de passagem, que nunca deveria ter sido fechado. Não tenho procuração do povo santanense, mas tenha a certeza de que, da mesma maneira que eu e minha família nos sentimos orgulhosos e agradecidos, o povo também referenda este legado.

Um povo não se desenvolve sem cultura, nem nada se faz isoladamente e tenho a certeza que este também seja o norteamento da sua administração. Portanto, somente a título de sugestão, permita-me dar uma opinião, e outras opiniões, creio, também deveriam ser ouvidas, para que esta casa permaneça aberta por tempo indeterminado e seja utilizada pela população de maneira educativa e pedagógica, como deveria ser.

A sugestão é que, através dos órgãos da Secretaria de Educação e Cultura, seja elaborado plano estratégico permanente de treinamento do corpo docente do Município em História Santanense para difundir a cultura e tradições, inserindo visitas guiadas a esta casa, no intuito de transmitir e multiplicar os costumes e crenças.

Obrigado.

João Neto Felix Mendes (Organizador)
 
 
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