Santana do Ipanema - quarta, 13 de dezembro de 2017
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Crônicas
22/06/2017
QUEM FOI NOSSO FUNDADOR?
Luiz Antônio de Farias, capiá


Santana do Ipanema 1912
Muito se tem dito acerca do fundador de Santana do Ipanema. Várias hipóteses já foram delineadas mas até o momento, dentro de tudo já consegui observar, o assunto ainda continua, para alguns, sem uma definição real, peremptória.

Nas fontes das quais tive acesso, as explanações encontradas são, costumeiramente, eivadas de subjetividade, carentes de uma conclusão definitiva. Sobre o fato transcrevo, abaixo, declarações subtraídas da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros: <“Conta-se que pelos últimos anos do século XVIII chegou à região, oriundo de Sirinhaém-PE, o Padre Francisco José Correia de Albuquerque. Contava com 21 a 22 anos e implantou preceitos de religião cristã, princípios de civilização e construiu uma igreja.” Em outra oportunidade a mesma fonte assinala: “Diz também a tradição que, em 1815, vindo da Bahia chegaram a Penedo os irmãos Martins e Pedro Vieira Rego, descendentes de portugueses. Ao terem conhecimento de que na Ribeira do Panema existiam vastas extensões de terras devolutas, conseguiram uma sesmaria de 12 léguas de terras (nascente/poente) da Serra do Caracol à ribeira do Riacho Grande e outra parte, também extensa (norte/sul) da ribeira de Dois Riachos à ribeira dos Cabaços (também conhecida como ribeira do Capiá).

Recordo que na minha infância, quando nossa família chegou no Riacho Grande (hoje Senador Rui Palmeira), nas décadas de 40/50, encontramos 04 irmãos denominados José Vieira Rego e Joaquim Vieira Rego (Quincas Vieira) estes assentados nas cercanias do referido distrito. E os outros, João Vieira Rego e Pedro Vieira Rego, localizados nas terras do Calango Verde. Vale ressaltar que até os dias atuais residem por lá descendentes das famílias citadas.

Para elaboração do livro, Santana Conta Sua História, os irmãos Floro e Darci Araújo Melo promoveram extensa pesquisa e para se inteirarem sobre os primeiros habitantes de nossa terra, se valeram de fontes advindas de moradores antigos, merecedores de credibilidade. No entanto nos relatos captados “podem ser observadas incoerências com relação aos sobrenomes citados”, conforme foi mencionado na própria obra. Os dois escritores admitem “discordâncias, quando uns afirmam que o primeiro homem a pisar nesta terra ser Martins Rodrigues Vieira, outros atribuem ter sido Martinho Rodrigues Gaia”. Ainda há uma corrente que sustenta “a existência de Martinho Rodrigues Gaia e Martins Rodrigues Vieira, que eram irmãos.”

Objetivando obterem detalhamentos mais abalizados sobre nossos precedentes e para ilustrar – dentro da maior realidade possível, seu importante trabalho literário – os autores Flávio e Darci promoveram uma minuciosa e fatigante investigação, onde se valeram de informações transmitidas por conterrâneos considerados da “velha guarda” de nosso município. Recorreram a pessoas do mais alto conceito, tais como Pedro Agra (1890), José Ricardo de Farias (1900), Doroteu Chagas (1898), José de França Belém (1886), Marinho Rodrigues de Oliveira (1888), Francisca Azevedo Pereira (1880), Frederico Rocha (1889), entre outros.

Na minha avaliação – após vários caminhos percorridos – entendo que a única fonte oficial, que pode sanar dúvidas a respeito de sobrenomes, pode ser encontrada na Escritura de Compra e Venda da Fazenda Picada, adquirida por Martinho Vieira Rego e sua mulher Ana Tereza Rodrigues dos proprietários João Carlos de Melo e a mulher Maria de Lima, em 19 de março de 1771. O negócio foi concretizado pelo preço de trezentos mil reis, pelas terras, e dois mil reis por cada cabeça de gado. Os pagamentos foram pactuados com cem mil reais de entrada e cinquenta mil reais nos meses subsequentes, até ser completada a liquidação do mútuo. O documento original, da referida escritura, – cuja fac-símile está publicada em meu livro Saudade Meu Remédio é Contar – se encontra no acervo histórico do Sr. Ademar Medeiros, no Poço das Trincheiras-AL.

O casal Martinho Vieira Rego e Ana Tereza Rodrigues teve 07 filhos: Joaquim, Emerêncio, Manoel, Virgínio, Ana, Vitória e Ana Tereza Filha.

Nada obstante algumas incoerências introduzidas, pelos autores, no livro Santana Conta Sua História, sobre o nome do fundador da cidade, tratando-o como sendo Martinho Vieira Rego e Martinho Rodrigues Gaia (pag.21) e Martins Rodrigues Vieira e Martinho Rodrigues Vieira (pag.126) – até compreensíveis em função da exaustiva busca e a diversificação dos entrevistados – a gama de informações sobre as famílias santanenses é, de um modo geral, esclarecedora demonstrando que os filhos de Martinho Vieira Rego e Ana Tereza Rodrigues foram responsáveis diretos pela origem dos habitantes de nossa terra. Inclusive, no relato, são determinadas as regiões onde os descendentes foram sendo localizados, povoando as mais diversas regiões do nosso município e de municípios circunvizinhos. Outros originários arribaram para outros estados, onde formaram novos núcleos familiares. Daí, com base nas informações recolhidas pelos autores, consegui confirmar, com convicção, a informação de que o filho Joaquim foi tetravô da minha avó materna, Doroteia Vieira Rego.

Ainda sobre o assunto, vale a pena ressaltar, penso eu, trechos do Escorço Biográfico do Missionário Apostólico do Dr. Francisco Correia de Albuquerque, elaborado pelo Padre Theotônio Ribeiro:

“As origens históricas do atual município de Santana do Ipanema estão intrinsecamente relacionadas ao movimento missionário católico”. Desta maneira, não hesita em proclamar que “o Padre Francisco Correia é, sem dúvida, uma de suas mais expressivas figuras e um de seus fundadores.”

“Se a baliza definidora do nosso processo de urbanização advém da escolha da Ribeira do Panema como lugar em que o missionário vem se fixar, é natural que a ele seja creditada a condição de fundador da cidade que veio a ser denominada Santana do Ipanema.”

“A propósito do fundador da cidade, a história oficial consagrou a seguinte tese: Martinho Vieira Rego fundou o povoado de Santana da Ribeira do Panema, cujos caboclos aqui residentes foram evangelizados pelo Padre Francisco Correia. Como reconhecimento ao pioneirismo, o primeiro virou nome de avenida no bairro do Monumento e o segundo ficou imortalizado como patrono de nosso primeiro Grupo Escolar.”

Para consolidar tudo que foi dito, não posso deixar de enaltecer que as figuras do Padre Francisco Correia e de Martinho Vieira Rego estão imortalizados no belíssimo Hino de Santana do Ipanema, obra imortal do nosso eclético artista-mor, Remi Bastos Silva, razão porque aproveito a oportunidade para enaltecer seus feitos artísticos-culturais em prol de nossa comunidade e dedicar a ele minha imorredoura admiração.

Recife, junho/2017
 
 
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