Santana do Ipanema - sexta, 21 de julho de 2017
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Crônicas
29/04/2017
A VOLTA PRA CASA – NESTOR PEIXOTO NOYA
Por João Neto Félix Mendes


Restos mortais do santanense Nestor Peixoto Noya

Contexto Histórico: Breve Relato da Ditadura Militar no Brasil

Em novembro de 1965, a ditadura cassou os partidos políticos e implantou o sistema bipartidário: enquanto a Arena (maioria no Congresso) apoiava o governo, o MDB (atual PMDB) fazia oposição a ele.

Na maior parte do tempo, o Congresso permaneceu aberto, mas o novo regime tirou sua autonomia. Quando algum parlamentar denunciava o governo, ele era cassado. Em 1966, no entanto, a ditadura fechou o Congresso. O presidente Castelo Branco só o reabriu depois que alguns parlamentares oposicionistas foram presos ou cassados. A reabertura do Parlamento chegou com uma nova Constituição, aprovada em janeiro de 1967 sem uma Assembleia Constituinte.

Desde o início da ditadura, houve muitos protestos contra ela. Graças a forte atuação, os estudantes e trabalhadores foram os principais alvos do regime. Em outubro de 1964, a UNE e todas as entidades estudantis foram extintas. No ano seguinte, os universitários da UnB (Universidade de Brasília) foram considerados subversivos pela ditadura, que fechou o local após a invasão da polícia.


Em março de 1968, uma manifestação contra a má qualidade do ensino foi reprimida com a morte de Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro. A reação levou estudantes e setores da Igreja Católica e da sociedade civil a realizar uma das principais manifestações contra a ditadura, a passeata dos cem mil.

Foi também naquele ano que aconteceu a primeira greve de trabalhadores, em Osasco. Mas foram os operários do ABC Paulista, na Grande São Paulo, que deram mais trabalho. Para tentar conter os protestos, os militares intervieram em sindicatos e afastaram seus líderes. A partir de então, os nomes dos dirigentes sindicais precisavam ser aprovados pelo Ministério do Trabalho.

Um dos protestos mais agressivos aconteceu no dia 4 de setembro de 1969, quando um grupo conhecido como MR-8 sequestrou o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, libertado três dias depois em troca de 15 presos políticos. Os envolvidos no caso foram exilados no México.

Apesar dos protestos, a ditadura gozou de popularidade, especialmente porque a economia do país cresceu muito entre 1963 e 1973, década conhecida como "milagre econômico": foi o auge da ditadura. A partir de 1974, último ano de mandato do presidente Médici, esse crescimento começou a diminuir porque a inflação aumentava junto com a dívida externa. Em 1979, o fim do "milagre" já era sentido pela população, que aumentou os protestos. Foi principalmente nesse período que as greves dos metalúrgicos do ABC - comandados pelo então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva - aprofundaram a crise da ditadura.

A solução encontrada pelo então presidente Ernesto Geisel foi abrandar a repressão. A ditadura deu início a uma transição gradual para a democracia. O presidente João Figueiredo acabou com o bipartidarismo, aprovou eleições diretas para governador em 1982 e anistiou militares e opositores.

Breve Biografia de Nestor Peixoto Noya

Nestor, nasceu no dia 07.01.1940, em Santana do Ipanema, segundo filho do casal Darras Noya e Marinita Peixoto Noya. Darras, chefe dos correios da cidade e Marinita, professora e diretora do Grupo Escolar Padre Francisco Correia. Seu Darras, além servidor dos correios, era boêmio, de bem com vida e integrado aos movimentos sociais da comunidade. Apaixonado por música, participou, em 1937 da Filarmônica Santa Cecília sob a regência do Maestro José Ricardo Sobrinho e nos anos 50, grupo musical “Seresteiros do Sertão”, fotógrafo, filatelista, numismático e colecionador de garrafas de aguardente lacradas. Não foi por acaso que o Museu da Cidade recebeu seu nome.

Nesse ambiente multi cultural cresceu o menino Nestor rodeado de amigos, desfrutando da bucólica vida interiorana, das brincadeiras e peraltices. Estudou as séries iniciais em Santana. Cursou o ginásio e o científico no Colégio XV de Novembro em Garanhuns PE, juntamente com os inseparáveis amigos Emílio Silva e Geraldo Bulhões. Estiveram juntos nos principais eventos e movimentos sociais da época, em Santana, tais como: As gincanas automobilísticas da festa da juventude e a Rádio Candeeiro.

Cursando o científico, ainda em Garanhuns, teve uma grande paixão por uma estudante daquele educandário e, por essa razão, foi obrigado a sair da Instituição, indo morar em Maceió.

Anarquista e politicamente ativo Nestor mudou-se para o Rio de Janeiro e lutou contra o regime militar no Brasil. Estudou engenharia civil no Rio de Janeiro. O ideal libertário, a defesa dos diretos civis e a vocação para as artes visuais nortearão decisivamente sua existência. Nesse período, convive com Milton Nascimento e desenvolve alguns trabalhos para o artista como fotógrafo e “cameraman”. Em 1967, por ocasião do Festival Internacional da Canção, no Rio, Milton defende “Travessia”, que conquista a segunda colocação levando-o ao reconhecimento público.
Mudou-se para Brasília para realizar seu sonho de estudar cinema na UnB – Universidade de Brasília. Em 1965, a UnB foi invadida e fechada pelo regime militar e todos os universitários foram considerados subversivos e muitos foram expulsos do País. Nestor foi um deles.

Ele fugiu para o Chile como exilado político, porém o povo chileno também vivia sob regime militar. O agravamento da crise política no Chile obriga-o a fugir mais uma vez. Dessa vez, vai para o Paraguai e tem proteção da Embaixada Brasileira, contudo Nestor almejava alçar voos nas plagas distantes do Velho Mundo para se dedicar a sua paixão de estudar cinema. Durante sua militância política no Chile e Paraguai, participou de diversas reuniões em que esteve presente o revolucionário e lendário Ernesto Che Guevara.

Com o intuito de ir à Polônia para estudar cinema naquele País, Nestor chegou ao Sul da Suécia, na cidade denominada “Ystad” tendo morando algum tempo por lá. Entretanto, com rapidez, conseguira emprego como fotógrafo em Estocolmo, mudando-se em 1973. Com a graduação incompleta de cinema no currículo, fora admitido, como fotógrafo pelo Governo Sueco, inclusive, tendo contatos profissionais com a Rainha Sílvia, que é brasileira. Desenvolveu seu trabalho no Instituto Deficiência, que mais tarde mudou seu nome para Agência de Ajuda.
Ao longo de mais de 30 anos prestou serviços como fotógrafo ao Governo Sueco. Em 2007 teve aposentadoria compulsória. Relatos das pessoas que conviveram com ele atestaram-no como pessoa generosa, amável e de sorriso largo. Por seu jeito contagiante de rir, sua presença era logo percebida onde estivesse, ratificando, portanto, as virtudes da família Noya.

Enquanto morou em Estocolmo esteve algumas vezes em Santana. Zé Neto, seu irmão, queria muito que ele viesse embora, porém afirmava que queria continuar morando e trabalhando por lá mesmo. Assim se fez.

Faleceu dormindo no dia 06.11.2016, aos 76 anos, vítima de parada cardíaca. Sua cremação foi em 22.11.2016, em Estocolmo. Admirado e querido por seus vizinhos e amigos, muita gente compareceu à cerimônia de despedida organizada por sua filha Joana, para render-lhe derradeiro reconhecimento.

Deixou 03 filhos; João Pedro, do relacionamento com Liana Vieira, residentes em Niterói, RJ; Joana Peixoto Noya, do relacionamento com Yara Pontes Neto e Simon Moacyr Robin Wallin, do relacionamento com Katharina Wallin, todos residentes na Capital Sueca.

A Suécia é uma monarquia constitucional parlamentarista, em que o chefe de Estado é um monarca, com poderes e funções meramente oficiais e cerimoniais. O atual rei é Carlos XVI Gustav. A princesa herdeira Vitória, primogénita do rei, é a primeira na linha de sucessão. A governação do país é efetuada pelo governo, liderado pelo primeiro-ministro, e respondendo politicamente perante o parlamento. O atual primeiro-ministro é Stefan Löfven (Partido Social-Democrata), desde 2014.

O Palácio de Drottningholm, classificado pela Unesco como patrimônio mundial da humanidade, foi construído no século XVII, na ilha Lovon, em Estocolmo. É a residência oficial do rei Carl XVI Gustaf e da rainha Sílvia. Nascida na Alemanha e criada no Brasil, Sílvia é uma rainha discreta e admirada por suas obras de caridade e seriedade. A monarca é filha da brasileira Alice Soares de Toledo, fala português fluentemente e esteve várias vezes no Brasil. Ela costumava passar férias no interior paulista, onde ainda moram vários de seus primos.

Os sonhos não envelhecem! A travessia feita na ida é a mesma travessia feita na volta. Era o seu desejo que seus restos mortais retornassem à terra natal. Assim se cumpriu. Em 29.04.2017, numa manhã chuvosa, rodeado de amigos e familiares foi sepultado no cemitério Santa Sofia, em Santana do Ipanema, no túmulo da família; Darras Noya, Mirinita Peixoto Noya, José Peixoto Noya, Nestor Peixoto Noya, além de irmãs que faleceram recém-nascidas. Que descansem em paz! As novas gerações têm o compromisso de levar adiante o legado das gerações passadas, honrando suas virtudes.

Em nome do povo Santanense, nesse ano em que se comemora 230 anos da fundação da cidade, prestamos agradecimento e abraçamo-nos fraternalmente com povo Sueco pelo respeito e acolhimento de um filho Santanense como se fosse seu filho. Que Senhora Santana, Nossa Excelsa Padroeira, proteja nossos povos. Que assim seja! Amém!

João Neto Felix Mendes/29.04.2017
 
 
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