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Manoel Augusto
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24/06/2009
DIÁRIO DE UM CAIPIRA PELAS RUAS DE PARIS
 
Ensaio XII - MUNIQUE

Partimos de Bratislava às 17 horas, o sol ainda alto demorou a se esconder permitindo-nos até 21 horas uma visão esplendorosa do cair da tarde, com os seus raios refletindo nas águas do Danúbio. O ônibus, não muito bom nem muito ruim, semi-leito, estava lotado nos proporcionando certo desconforto por toda a viagem. Enfim chegamos a Munique, 6 horas da manhã, sob um frio de 5ºC, depois de atravessarmos novamente a Áustria, com suas belezas de país organizado, urbanizado e educado, fazendo-nos rir com palavras quilométricas estampadas nas fachadas das lojas e nas placas indicativas de ruas e praças, que mais parecem a repetição do “abecedário”, um sopão de letras, a começar pelo nome do país: REPUBLIK ÖSTERREICH. Embora cansados da viagem, não deixamos de observar as belas paisagens das periferias de Viena, de Linz, de Salzburg e de Rosenheim, em todas, paradas para lanche e esticada ao banheiro, todos pagos, porém extremamente higienizados, não lembrando nem remotamente os das nossas rodoviárias.
Estava ansioso para chegar a Munique, não só pelo cansaço da viagem, decorrente de uma noite mal dormida e da má acomodação que me fazia lembrar meu desvio de coluna… Outras porém me aguçavam a curiosidade: as Olimpíadas de Munique, de 1972, que marcaram com sangue a história dos Jogos Olímpicos – terroristas palestinos (da OLP) invadiram os alojamentos dos atletas israelenses deflagrando um terrível atentado, vitimando 11 atletas. A reação dos órgãos de segurança resultou na morte de cinco seqüestradores e na prisão de outros três. Esse episódio comprometeu o brilho das olimpíadas naquele ano e provocou uma onda de seqüestros e atentados em todo o mundo, inclusive de aviões. Outra lembrança triste para nós brasileiros foi, mais uma vez, a desclassificação do Brasil nas semi-finais da Copa do Mundo na Alemanha, pela França, em 2006, restando-nos, apenas um humilde 5º lugar.
A passagem pela Alemanha, embora não a tivesse programado, me criara grande expectativa. A Alemanha sempre me fascinou, fosse pela referência à qualidade tecnológica da sua indústria metal-mecânica, fosse mais ainda pela força e altivez do caráter alemão. Foi pela Alemanha que pisei na Europa pela primeira vez, logo depois da queda do muro de Berlim. Foram quase dois meses de curso sobre “políticas ambientais” pela Deustsche Stiftungg Fur Internationale Entwicklung – DSE/GTZ, em Berlim, a convite do Acordo Brasil-Alemanha para o meio ambiente. Na ocasião, 1991, ocupava o cargo de presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas. Como parte da programação do curso, após 20 dias em Berlim visitamos diversas cidades e projetos alemães em Bonn, Hannover e Cologne. « Na visão de um gaúcho bairrista”, poderia dizer que estava viajando pelo Vale do Itajaí ou pela Serra gaúcha!
Berlim me impressionou pela beleza dos seus palácios, pela arquitetura, competentemente restaurada depois de duas grandes guerras, pelas largas e bem ajardinadas avenidas, tudo esmeradamente limpo e de bom gosto. Foi “simpatia à primeira viagem”! Berlim é verdadeiramente uma cidade aristocrática! Daí a expectativa em conhecer Munique, mais uma bela e dinâmica cidade alemã. Ao desembarcarmos numa imensa estação “multimodal”, tomamos o metrô para o centro da cidade, até a estação Marienplatz, numa manhã fria de sábado, mas com o sol raiando e aquecendo o clima, tornando-o bem agradável, fizemos o nosso primeiro tour, porém antes tomamos o nosso “friú-chtiúc” (café da manhã), numa bela “Süfswaren” (confeitaria), na praça central, observando a dança dos bonecos no alto da Prefeitura (Rathaus), quando os ponteiros do relógio marcam hora, tipo o “canto do cuco”, nessa praça concentram-se turistas do mundo inteiro para assistir esse espetáculo artístico.
Às oito horas o comércio começou a abrir as portas, seguimos então para o balcão da Eurolines para marcar as passagens do nosso próximo destino, as quais só conseguimos para 58 horas depois, segunda-feira às 20 horas, precisamente. Tínhamos então, 3 dias e duas noites em Munique, tempo suficiente para um bom circuito turístico e descanso da noite anterior. Ao chegarmos a Munich, a primeira visão da cidade foi do “Oliympic Stadium”, que foi palco de vários jogos da Copa do Mundo de 2006, o Allianz Arena, em forma de um gigantesco pneu branco, adormecido. Munique, capital da Bavária, é uma cidade industrial, sede da Siemens e da BMW entre outros grandes conglomerados e também do “Bayern” uma das equipes de futebol mais famosas da Europa. Com efeito, lá se realizam os mais célebres festivais “oktoberfest”, regados às famosas cervejas da Bavária, atraindo milhares de turistas, principalmente estrangeiros. Munique é também um dos mais desenvolvidos centros high-tech do mundo.
Marcadas as passagens, seguimos à procura de hotel. O primeiro, o segundo e o terceiro, lotados. O quarto, o quinto e o sexto, com diárias proibitivas para quem ganha em Real e gasta em Euro, embora tenhamos ficado tentados. Mas, quem viaja de forma afoita e aventureira, sem roteiro e hospedagens definidas, está sujeito a esses “pequenos desencontros”! Nós já prevíamos isso, foi uma opção consciente, portanto não podíamos reclamar. Afinal encontramos uma pousada familiar, familiar mesmo, de duas senhoras alemãs, muito distintas e prestativas. Na entrada do elevador conhecemos uma brasileira, paraense, moradora do 6º andar do mesmo prédio, conhecida das donas da Pousada. Como boa brasileira e autentica nortista, nos dispensou uma calorosa recepção e em poucos minutos nos fez um resumo dos seus 10 anos de Europa, seu casamento com alemão e seu amor pela Bavária, pronto, como se diz popularmente, estamos em casa, disse-lhe eu! E assim, iniciamos o giro pela bela Munique ou München para os alemães.
A charmosa capital da Bavária tem uma população metropolitana em torno de 2 milhões de pessoas, é a terceira cidade alemã em população, depois de Berlim e de Hamburgo e é considerada uma cidade vanguardista, mesmo para os padrões europeus. Casais homossexuais, de homens ou de mulheres, trocam carinhos em público sem a menor cerimônia e, nos feriados ensolarados, são comuns as mulheres de top less ou casais completamente nus pegando um “bronze”, ao fazerem seus piqueniques, tudo isso aceito naturalmente, pelos alemães, porque para um sul americano é evidente a surpresa que lhe aguça a curiosidade, fazendo-o de quando em vez arriscar uma olhadela, disfarçadamente!...Há também os contrastes: enquanto uns se despem, outros se vestem a rigor (smokings e vestidos longos) para jantarem no Jardim Inglês.
Munique foi fundada em 1158 a partir de um mosteiro, daí o nome de “Mönch”, monge em português, com o passar do tempo München ou Munich tornou-se sede da dinastia dos Wittelsbach que por mais de 700 anos transformaram-na no maior centro cultural da Europa.
Deixamos as bagagens no hotel e fomos explorar o centro histórico e conhecer algumas das lojas de grifes mais famosas do planeta. Ao meio dia procuramos um restaurante típico para nos fartarmos de salsicha (bratwurst), e cerveja. Estava um pouco frio mas o sol nos mantinha aquecidos, enquanto centenas de pessoas com canecas gigantes de cerveja e sanduíches de salsicha sentavam nos calçadoões em verdadeiros convescotes urbanos. Se diz na Baviera que comer e beber mantém o corpo e a alma juntos! Então, pra que separar?
No domingo logo cedo tomamos o metrô e fomos à periferia à procura da “feira das pulgas” ou antiguidades, conhecida aqui como feira de objetos usados ou antiquários, não confundir com feira do troca ou do rato... Ao retornar passamos por uma praça de alimentação, o mercado aberto de Viktualienmark.
Com centenas de barracas das mais simples às mais sofisticadas e variadas, um festival de comidas típicas, próprio para turistas. Os bons “gourmets” ou popularmente os comilões ou bons de garfo, se dão bem nessa feira que, embora sofisticada, nos reporta às famosas “tordas” das feiras e das quermesses sertanejas, retratadas em prosa e verso pelos nossos poetas. Escolhemos os pratos e fomos almoçar na pousada enquanto assistíamos pela TV mais uma vitória de Felipe Massa na Fórmula Um. Para um brasileiro desgarrado na Europa, ver a bandeira do seu país, sob os acordes do hino nacional ser erguida a frente das de outras nações é uma emoção a mais, bem a mais, diga-se de passagem. À noite nos aconchegamos num restaurante iraniano decorado com símbolos e objetos típicos, a meia luz, com diversas pessoas falando alto e ao mesmo tempo (no seu idioma nativo) parecia que estavam brigando, logo se abraçavam ou se beijavam. Os nossos bares tupiniquins passam por silenciosos e bem comportados, a não ser depois da zero hora quando a cachaça ao invés de descer, sobe pra cabeça dos menos avisados. Consultamos o cardápio e optamos pelo que nos pareceu mais apreciável, “um legítimo café das Arábias”. Na verdade nos trouxeram um café com um forte sabor de menta, que não era menta, talvez um tipo de pimenta que nos deixou com a boca ardida por longas horas. Mas, pior seria se tivéssemos pedido um Ayatolá ou um Ahmadinejad, uma vez que o “Xá” foi extinto há quase 30 anos! Presenciando o nosso desconforto, um iraniano típico, pareceu-nos o proprietário, indagou-nos : Hat es ihnen geschmeckt ? (O Senhor gostou da comida ?) Ja, ja, danke (Sim, sim, obrigado. Você diria o contrário ?






No dia seguinte, voltamos à vida dura de um “Caipira” no seu giro pelas “OROPA, FRANÇA E SÓ BEM DEPOIS A BAHIA”!...Tomamos um bonde, veículo leve sobre trilhos, daqueles que pretendem implantar em Maceió, e fomos conhecer um pouco mais de Munique, agora já com mais intimidade. Fomos à cidade universitária contemplar a beleza paisagística, os prédios majestosos, os museus e observar a limpeza e a conservação de todo o patrimônio, intrínsecas no sentimento cultural da comunidade universitária, principalmente dos estudantes, confesso que, como brasileiro, senti um pouco de vergonha ao me lembrar dos nossos “campi universitários” ...À tarde, enquanto aguardávamos a hora do embarque para Lyon, demos voltas pelo interminável e sofisticado comércio para ver as novidades eletrônicas e de moda, já que minha mulher, além de estilista, é professora de rendas e bordados. Enfim embarcamos de volta à França, já sentindo um pouco de saudade da bela Munique.
MAAS

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