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Maria L√ļcia Nobre dos Santos
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10/08/2012
Perdão para quem se arrepende dos pecados
 
Perd√£o para quem se arrepende dos pecados L√ļcia Nobre

Na cultura do povo cristão acredita-se que, quem transgride a lei de Deus pagará por isso, será castigado. E quem se arrepende dos seus erros será perdoado. Dizem até, que através do mal, pode-se chegar ao bem. A história de Maria Mutema foi assim. Matou o marido e andava vestida de preto, sem nenhum sorriso, mulher seca de corpo e de alma, sem nenhum atrativo. Parece que seu mal maior foi tentar conquistar o padre Ponte. Dizia ao padre que matou o marido porque estava apaixonada por ele, o padre. O padre Ponte, um sacerdote bom homem, de meia idade, meio gordo, muito descansado e estimado por todos. Tinha três filhos com a mulher que governava sua casa. As pessoas a chamavam de Maria do Padre. O padre Ponte era um vigário de mão cheia, cumpridor e caridoso, pregando com muita virtude seu sermão e atendendo em qualquer hora do dia ou da noite, para levar aos roceiros o conforto da santa hóstia do Senhor ou dos santos óleos.
Bem, Maria Mutema desejava destruir a harmonia que havia entre o padre Ponte, a igreja, a comunidade e a família do padre Ponte. A mulher e os três filhos. De três em três dias Maria Mutema chegava à igreja e se confessava com o padre Ponte. Ninguém imaginava qual a verdadeira intenção da mulher. Só o padre sofria com o que ouvia de Maria Mutema. Desviá-lo de sua vida pacata e serena, do bom convívio com sua igreja e sua família. Ninguém poderia desconfiar. Chegava e saía de olhos baixos, com tanta humildade, parecia uma santa padecedora. No início, o padre tentou desviá-la daquele intento. Depois adoeceu de tanto desgosto. Via na mulher, uma perversa, mas não podia negar uma confissão, confissão não se nega. Com o passar do tempo, o padre adoeceu para morrer. Emagreceu, amofinou, sofria grandes dores. Morreu triste. Maria Mutema nunca mais voltou à igreja.
Tempos passaram e aconteceu √† Santa Miss√£o. Chegaram mission√°rios. Dois padres estrangeiros. A igreja encontrava-se lotada dos devotos crist√£os. Na √ļltima noite das novenas, todos manifestando sua f√© e devo√ß√£o, de repente, entra Maria Mutema. Todos se assustaram. O que aquela mulher que matara o marido e o padre Ponte, este de desgosto, queria ali, naquele lugar sagrado? Maria Mutema, sozinha, em p√©, torta, magra, de preto, deu um gemido de l√°grimas e exclama√ß√£o. Pediu perd√£o! Perd√£o forte, perd√£o de fogo, que da dura bondade de Deus baixasse nela, em dores de urg√™ncia, antes de qualquer hora de nossa morte. A mulher pediu perd√£o pelos crimes cometidos. Implorava o perd√£o de Deus. E o mission√°rio, no p√ļlpito, entoou grande Bendito, louvado seja!
Maria Mutema redimiu-se de seus crimes por meio da confiss√£o p√ļblica. A pecadora admite sua culpa e √© perdoada. Trata-se de uma simples admiss√£o de culpa, em que o mais fraco coloca-se perante o mais forte numa clara rela√ß√£o de subordina√ß√£o. Vejamos os versos de Greg√≥rio de Matos:

Eu sou, Senhor; a ovelha desgarrada.
Cobrai-a, e n√£o queirais,
Pastor Divino, perder na vossa ovelha a vossa glória.



Texto adaptado da história contada por Riobaldo de Gra


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