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Maria Lúcia Nobre dos Santos
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06/07/2012
No princípio era o Verbo
 
No princípio era o Verbo Lúcia Nobre

Deus usou a palavra e construiu. Depois veio o homem e o imitou. Empregou a palavra e a colocou no papel e inventou que era escritor. Assim, prosseguiu e tudo quer escrever. Tem ansiedade de contar suas histórias. Vem desde o anônimo contador de histórias, o homem coletivo que vem dos tempos de Homero. “Os homens narrativas” dos contos como os de “Mil e uma Noites”, como Sherazade, que não cansa de contar histórias, vive unicamente na medida em que pode contar.
No princípio era o verbo e a palavra se fez animada com a voz da personagem. A voz é dada à personagem pelo escritor. “A voz é querer dizer e vontade de existência, lugar de uma ausência que, nela se transforma em pré-existência” (Paul Zamthor), Ou seja, a tradição cristã, para quem o Cristo é Verbo, valoriza a palavra. Assim, o escritor cria sua personagem com poder de voz. A partir daí, a história se desenrola.
Guimarães Rosa diz que o poeta não cita, canta. É por isso, que é melodia a palavra do poeta. Se não fosse assim, os textos poéticos não seriam tão contagiantes. Os textos poéticos não carecem de versos. A poesia está ali impregnada naquela narrativa poética. A escrita nasce quando o escritor pensa. E o ato de escrever já é a técnica e a alegria do jogo das palavras. E se todas as personagens contam suas histórias é porque o ato de contar recebeu a suprema consagração: contar é igual a viver. À personagem é inerente o dom de persuasão por meio da palavra. Consciente do seu poder explora-o como arma de sedução e consegue o seu intento: conquistar o leitor. Sabemos que a criação da palavra surge da necessidade de expressão diante de uma nova realidade, tanto por parte do escritor, quanto por parte do homem comum.
Uma das qualidades peculiares ao protagonista falador é a arte de contar histórias inventadas. Imaginação fértil, não se cansa de proferi-las. Lembrei-me de Luís da Câmara Cascudo, que nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, diz, que em sua casa, que era grande, parecia um convento, era um hotel dos amigos do interior. Seu pai gostava de receber pessoas. Cascudo lembra de uma negra que contava muitas histórias. E sua mãe sempre dizia: ela inventa. A negra contadora de histórias tinha imaginação fértil. Lembrei também, agora, de Zabé Brincão, que contava histórias para a família de Socorro Ricardo, lá em Santana do Ipanema/AL. A negra lá de Natal, que contava histórias para a família de Câmara Cascudo e Zabé Brincão fazem parte dos anônimos contadores de histórias, aqueles que vêm desde o tempo de Homero. Tudo isso pelo prazer de contar.
Falamos no inicio do texto da palavra falada e da palavra escrita, consequentemente, da palavra cantada e da poetizada. Foi a partir do romantismo que a poesia falada ou a poesia popular teve o seu valor reconhecido enquanto criação literária. Os críticos românticos e seus seguidores admitiam que esse tipo de poesia que encarnava a alma do povo, entre ele, germinava, transmitindo-se depois de boca em boca de geração em geração, através da memória. E, como desde o princípio, a palavra se fez, deve continuar com sua força, para que escritor e poeta, popular ou erudito, apropriando-se da fala ou da escrita, manifestem-se de toda beleza que é a poesia.
Depois de relativamente alfabetizado, adoeci da moléstia livresca. Meu pai comprava tudo. Mandava buscar longe. Nunca me quis fazer homem prático, sabendo o valor do dinheiro e a manejar dívidas, com o rótulo de crédito. Foi então que comecei a encontrar nos livros, como coisas diferentes e antiquíssimas, quanto vira e vivera no sertão e na velha Natal, onde ainda corria o Lobisomem na Bica da Telha e no Rabo da Besta, deliciosos topônimos desaparecidos.
(Câmara Cascudo)


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