Santana do Ipanema - terÁa, 21 de novembro de 2017
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13/06/2015
AURA DO JUAZEIRO DO NORTE ‚Äď TERRA DO PADRE C√ćCERO
 
Já ouvi muitas histórias do Juazeiro do Norte, a terra do Padre Cícero Romão Batista, mas nunca havia sentido a aura daquela terra.

O meu av√ī Alfredo Rodrigues de Melo, Alfredo Labareda, fundador do munic√≠pio de Carneiros, terra em que vivi os meus primeiros anos de vida, anci√£o respeitado pela sua dureza terminou os seus dias, na sua √ļltima exist√™ncia, na condi√ß√£o de evang√©lico, mas um fervoroso adepto e admirador dos milagres do fundador do Juazeiro. N√£o cabe aqui contar o porqu√™, pois a hist√≥ria √© longa, mas quem sabe um dia contarei.

No período de 04 a 06 de junho de 2015, tive a oportunidade de visitar a terra do Padre Cícero, na companhia do Dr. José Arrais Onofre. Visita esta a trabalho, mas nela pude vivenciar diversas experiências que enriqueceram a minha vida. Uma, em especial, tratarei nesse texto.

Quando resolvi a nossa viagem ao Juazeiro, e sabendo que um amigo devoto do Padre C√≠cero passava por certos problemas, comuniquei a ele que faria essa viagem e o mesmo pediu que um dia antes o encontrasse para que levasse um bilhete ao ‚ÄúPadim Ci√ßo‚ÄĚ, com o que prontamente concordei e ele ainda fez um pedido: j√° que era analfabeto, que fosse ao seu local de trabalho para que redigisse o tal bilhete.

Mas, por ironia do destino, esqueci da promessa e s√≥ lembrei do amigo quando estava na Igreja de Nossa Senhora do Socorro, onde est√° sepultado o corpo do Padre C√≠cero. Pedi licen√ßa ao meu companheiro de viagem e sai at√© um lugar que pudesse me comunicar com o amigo que deixei em Santana do Ipanema. Fiz uma liga√ß√£o telef√īnica e no di√°logo perguntei se ele sabia onde eu estava e ele prontamente respondeu: - E voc√™, est√° no Juazeiro do ‚ÄúPadim Ci√ßo‚ÄĚ e esqueceu de mim. Eu, prontamente, disse-lhes que havia esquecido de ir fazer com ele o bilhete, mas estava ali para cumprir a minha promessa. Informei que estava comprando um ros√°rio, uma imagem do Padre C√≠cero e um pequeno adorno da lapela. E tamb√©m que iria √† Igreja do Socorro, colocaria essas compras no local onde foi sepultado o corpo do Padre C√≠cero e faria um pedido para o amigo. Ele agradeceu e aceitou a nossa indica√ß√£o.

Assim o fiz, coloquei os presentes do amigo e silenciosamente, a minha maneira, coloquei as inten√ß√Ķes do romeiro que estava no Sert√£o Alagoano.

Continuei as atividades para a qual nos propomos, visitamos amigos, ganhei presentes que acredito ser tesouros e que h√° bastante tempo procurava. Dentre os presentes estava o livro PADRE C√ćCERO ‚Äď A sabedoria do Conselheiro do Sert√£o de autoria do professor, historiador, jornalista e escritor Daniel Walker.

Assim que retornei à Santana do Ipanema comecei a ler essa obra e para minha surpresa, encontrei um relato no texto, extraído de um livro do pai do autor que me deixou arrepiado, o qual transcrevo na íntegra:

"Zeca Marques, meu pai, em seu livro Milagres e previs√Ķes de Padre C√≠cero, escreveu com base em depoimento prestados por amigos:

No tempo do Padre Cícero, os comerciantes de artigos religiosos: Joaquim Mancinho, Pedro Magalhães, Dandão, Lourencinho e Beata Rita também eram proprietários de casas para hospedagem dos romeiros que chegavam a Juazeiro. Para os romeiros falarem com o Padre Cícero eram obrigados a fazer compras na loja do proprietário do rancho em que estavam hospedados.
Logo depois da morte do Padre C√≠cero, Joaquim Mancinho contou-me o seguinte fato: ‚ÄúEu, disse ele, estava certo dia na sala de espera da casa do Padre C√≠cero, esperando chegar a minha vez para apresentar meus romeiros a ele, quando deu-se uma discuss√£o entre a Beata Rita e Manoel Lucas (s√≥cio de Lourencinho). Cada qual queria apresentar primeiro seus romeiros ao Padre C√≠cero. Da sala vizinha, onde o Padre C√≠cero recebia os visitantes, ele ouviu a discuss√£o e levantando-se da rede aproximou-se dos dois e disse: ‚Äď Voc√™s v√£o logo se acostumando porque est√° bem pr√≥ximo de meus romeiros chegarem a Juazeiro, podendo se hospedar onde melhor achar conveniente, fazer suas compras onde bem lhes conv√©m, me visitar a qualquer hora e eu atendo suas preces, benzo suas imagens, seus ter√ßos e ros√°rios sem ser preciso a interfer√™ncia de voc√™s. Disse mais: ‚ÄúIsso acontecer√° tr√™s anos e meio depois da minha morte. ‚ÄúEstarei aqui em esp√≠rito e verdade para velar por esta cidade que ser√° perseguida, mas n√£o vencida‚ÄĚ.
Em 20 de dezembro de 1937, decorridos 3 anos e meio de sua morte, que ocorreu em 20 de julho de 1934, os devotos do Padre C√≠cero observando a m√° vontade de alguns sacerdotes em benzer as imagens que compravam, quando entre elas estava o retrato do Padre C√≠cero, da√≠ em diante, por conta pr√≥pria, passaram a se dirigir √† Capela do Socorro, onde o corpo do Padre C√≠cero est√° sepultado e p√Ķem em cima da l√°pide do t√ļmulo, seus objetos religiosos para serem bentos, fazem suas preces e saem contentes e satisfeitos como se ele ali estivesse.‚ÄĚ (WALKER Daniel 2009 p. 65 e 66).


Ao concluir essa leitura, parei um pouco e coloquei o meu senso crítico para funcionar, analisando todos os acontecimentos vividos, as coincidências e as vivências de tantas pessoas que se repetem ano a ano.

No hotel, √† noite, passei um e-mail para uma amiga que muito estimo e que tem uma longa liga√ß√£o com o Juazeiro do Norte, a antrop√≥loga santanense, Luitgarde Oliveira Cavalcanti de Barros, que me respondeu com a seguinte mensagem: ‚ÄúMuito bem, d√™ lembran√ßas ao Daniel Walker e reze muito na Igreja do Socorro, que o Padre C√≠cero nos aben√ßoa a todos. Bendito seja quem vai ao Juazeiro. Abra√ß√£o, Luitgarde‚ÄĚ

Hoje escrever essas linhas, posso assegurar com a batuta de pesquisador, que muito ainda teremos que conhecer daquela terra encravada no Vale do Cariri, mas que, na Aura do Juazeiro do Norte a presença forte do Padre Cícero e algo notável, até para os céticos.

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