Santana do Ipanema - sexta, 03 de setembro de 2010
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01/08/2010
IV CAMINHADA - SUBIDA DA SERRA DA CAMONGA
 
A Festa de Senhora Sant`Ana é marcada pela visita dos santanenses ilustres que participam da novena e da grandiosa Procissão.

Um exemplo disso é que entre tantos santanenses dois sempre encontramos em nossos registros fotográficos a nove anos. Falamos de Remi Bastos ( nosso poeta mor) e João Francisco das Chagas Neto, João do Mato, para uns João Neto filho de Dirce para outros ou João Neto Bestão, para os da sua geração. Para nós o Anjo destrambelhado do Mural de Recados do Maltanet.

Esses dois santanenses e Menininho, ou Brito, sempre fizeram uma atividade isolada. Escolhiam um dia e subiam a Serra da Camonga. De posse de baladeira ou peteca e balas feita do tradicional barro de louça se divertiam pelos caminhos do sertão.

No ano passado a munição era 50 balas para cada um, uma porção importada do Mato Grosso, mas no retorno nem um caga sebo foi alvejado. Resultado nada de caça.

Este ano perguntei a João Neto: “ que pontaria ruim é essa de vocês?” e ele prontamente respondeu: “trata-se de uma caçada politicamente ecológica. Observamos o alvo e atiramos vinte centímetros para os lados, acima ou abaixo. A diversão é o objetivo maior da caminhada”.

No inicio de 2010 o nosso poeta mor divulgou no Mural de Recados do Portal Maltanet que a intenção este ano era ampliar a ação e tornar a caminhada científica, ou seja com mais adeptos em suas especialidade e não apenas o trio costumeiro.

As conversas foram se ampliando e o resultado foi que quatorze cientistas subiram a Serra da Camonga no dia 24 de julho e catalogaram muita coisa, cujo documento será publicado posteriormente.

Mas antes do documento oficial o nosso querido Remi Bastos, com toda sua emoção, faz um relato interessante sobre a expedição, cujo conteúdo apresentamos a seguir.

No próximo ano os cientistas vão coçar o saco do tigre e esperam uma adesão maior.


A IV CAMINHADA –  subida da serra (Remi Bastos)

Foi um dia maravilhoso, o céu azulado fugia aos dias enturvados pelos nimbos, inspirando os caminhantes rumo ao desconhecido. A temperatura agradável se mesclava com o vento que brandamente sacudia a cabeleira de João do Mato como se fossem cortinas de eucaliptos. Estávamos cumprindo tudo aquilo que foi ventilado durante meses no Mural de Recados, a nossa IV Jornada da Caminhada, rumo a Serra da Camonga. Finalmente iríamos desvendar os mistérios adormecidos na velha serra e que por muitos anos ficaram guardados em nossas lembranças, a Sereia Encantada, o Fogo Corredor e o Tesouro Perdido. Pena que muitos daqueles que confirmarão suas presenças no evento, não compareceram, nem depositaram suas lembranças.

Partimos às 9h35 dos espaços do Bellu’s Hotel. Éramos quatorze: Remi, João do Mato, Brito, Cocada, Capiá, Zé Ialdo, Ziburga e seu filho Ziburguinha, Neubens Mariano, Fábio Campos, João Nobre e seu irmão Nobrinho, além de Marques e seu amigo o Coroinha de Quipapá. Durante a caminhada a descontração era total, tiramos fotos, conversamos e curtimos os cenários verdejantes que lentamente íamos descortinando. Por volta das 10h25 estávamos chegando ao sopé da serra, na Fazenda de Eraldo do Ferrageiro, onde fomos anunciados pelo latido do cachorro Bob. Daquele ponto já sentíamos o cheiro da Camonga vindo do alto nas veias do vento. Tiramos algumas fotos em grupo, pois queríamos registrar cada minuto da Caminhada. Precisamente às 10h40 partimos para o cume da serra seguindo por uma trilha comandada por um guia, em fila indiana. Logo nos cem metros iniciais da subida surgiram os primeiros desistentes: João Nobre, Capiá, Ziburga, Zé Ialdo  e Xogoió. O grupo ficou reduzido a nove, além do guia e um jovem que também nos acompanhou na jornada. À medida que nos aproximávamos da crista da serra, sentíamos aquela sensação de felicidade, o ar frio nos acariciava como se estivesse nos desejando boas vindas. Finalmente às 11h22 aquele grupo de sonhadores pisava pela primeira vez na cumeeira da Serra da Camonga. A emoção foi geral. João do Mato nesse momento falou para mim, Negão estou emocionado, é como se fosse um encontro com Deus. Naquele momento, todos se dirigiram à cruz fincada ali no alto, cada um procurando tocá-la como se extraísse do madeiro as Bênçãos de Deus. Contemplamos do alto todo vale do Ipanema e registrando com fotos.  Em seguida Cantamos o Hino Nacional e o Hino de Senhora Santana, regidos por Fábio Campos e João do Mato. As lágrimas formaram pequenos córregos nas faces dos presentes, como se fosse a hóstia que absolve o pecador. Depois, obedecendo à programação, Marques ao pé da cruz leu Mateus, cap. 5, vers. 1 a 11 - O SERMÃO DA MONTANHA. E mais uma vez os corações dos Caminhantes aventureiros silenciaram àquele momento, em que a humilde supera o orgulho. Finalizando, todos de mãos dadas cantamos a Paz de Cristo: “Se algum dia na vida você de mim precisar,/Saiba que sou seu amigo,/ Pode comigo contar...  Às 11h27 retornamos com um sonho cumprido, de um dia poder está no cume da Serra da Camonga. Lentamente contornamos o caminho de volta onde às 12h50 fomos recepcionados na Fazenda de Josa Pinto com peixada,  cagada e feijoada regadas a cerveja, cachaça e vinho Zé da Onça . Obrigado  Josa e Nenoi Pinto pela acolhida.

A IV Jornada da Caminhada foi o despertar de um sonho para a realidade. A Comissão agradece a todos os caminhantes, ao mesmo tempo em que espera contar também com todos na V Caminhada Homero Malta rumo ao Serrote do Tigre.
 
“Vamos coçar o saco do tigre”.

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