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08/01/2018
NÔ PEDROSA
 
Considero-me um privilegiado por poder vivenciar momentos importantes. Um deles é ir sempre à Casa O Ferrageiro, quase todos os dias, e ter a honra de conversar com o sócio daquela empresa, Bartolomeu Barros.

Lá, eu posso dizer que aprendo uma lição a cada dia, pois ele é um exemplo para mim. Sempre encontro Bartó, como carinhosamente o chamo, lendo algo, pois é um amante da leitura. É um dos poucos assinantes do Jornal Gazeta de Alagoas em Santana do Ipanema.

Tem uma passagem interessante: recentemente foi a Recife para fazer os seus exames de rotina. Em uma de minhas visitas, logo que ele retornou, vi uma pilha de jornais em cima de sua mesa, não quis ser indiscreto perguntando para que, mas percebi que estava lendo todos os números atrasados. Notando meu olhar, ele arrematou: “Sempre tem algo de bom nos jornais”.

Foi num momento desse que Bartolomeu numa minha visita diária, deu-me o Caderno B do Gazeta e disse: “Pode, José, uma coisa dessa?”. Estampada na matéria estava uma reportagem especial sobre o assassinato do militante anarquista mais conhecido em Alagoas. Como era uma matéria grande, pedi o jornal para ler em casa.

O tempo passou e aquele jornal ficou em cima da minha mesa de trabalho. Mas hoje, querendo cumprir a indicação do meu confrade e também devolver o material, uma vez que tomei emprestado, abri o periódico e pude perceber uma magnífica matéria.

Uma obra-prima feita por duas pessoas capacitadas. Na reportagem principal, a trajetória de Walfredo Pedrosa de Amorim, ou, simplesmente, Nô Pedrosa é descrita pelo historiador Geraldo de Majella, feita pela jornalista Larrissa Bastos.

Um trecho que me identifiquei bastante foi esse: “Na universidade era a mesma coisa. Nos anos 1980, ele tinha uma banquinha de venda de livros. Se o sujeito tinha dinheiro, levava o livro. Se não tivesse, também levava. O sentido anarquista do Nô era de não ter apego à propriedade e a nenhuma relação com o estado e a sociedade estabelecida, isso não cabia na cabeça dele”, ressalta o historiador.” (Larissa Bastos). Compartilho da ideia do Nô Pereira quanto às propriedades e os livros.

A segunda parte da matéria, tem outro texto de uma grandiosidade. Permita-me o leitor em iniciar meus comentários sobre esse texto transcrevendo primeiro parágrafo:

“Existem pessoas que marcam um determinado tempo e em um determinado lugar. Por onde andamos, havendo um lugar, alguém teve uma presença densa, significando que se distribuiu de uma determinada forma e maneira. Uns ficam famosos pelo chicote, outros pela enxada, outros pelos caramelos e outros, como é o caso do Nô Pedrosa, pelo fato de dar-se, repartir-se e viver uma vida que demonstra o poder do sonho, o fato de que as utopias são retratos concretos de desejos, de visões e de olor de santidade. Nô jamais será esquecido, pois a minha memória e meus sentimentos sempre farão com que renasçam em mim e sou uma infinidade de mins. Os mins de que falo são os mins de todos nós que ficaram com um nó na garganta, pensando no sangue molhando e sujando a castidade de uma vida. (Sávio Almeida).

Professor Sávio Almeida é um expoente da intelectualidade Alagoana. Ele brinca com as palavras, frases e orações de forma especial. No texto em pauta ele retrata a amizade que tinha com Nô Pedrosa, pessoa que não conheci, mas parece ser meu amigo, devido à riqueza de detalhes apresentados pelo professor Sávio Almeida e também Larissa Bastos na primeira parte da matéria.

Se for retratar aqui tudo que li, a crônica vai ficar extensa. Se o leitor amigo quiser, pode acessar a página digital do Jornal e no caderno B da edição do dia 28/12/2017 estão as matérias.

Finalizo transcrevendo o belo encerramento do texto do professor Sávio, quando se despede do amigo. “Nô Pedrosa, não irei te ver no cemitério e, amigo meu, alegoricamente você jamais será enterrado! Não queria terminar com um lugar-comum, mas você jamais será esquecido. A polícia deve esclarecer, mas eu jamais acreditaria que as balas eram para você. Aceite um abraço e viva a esperança!”. (Sávio Almeida)

Assim, sem conhecer pessoalmente Nô Pedrosa, fica meu pesar pela sua ida de forma tão brusca. Se tivesse sido apresentado antes, com certeza seria mais um amigo a visitar em Maceió.

Foi-se a cultura de Nô Pedrosa e fica a esperança retratada pelo Professor Sávio.

Paz e Luz

Santana do Ipanema – AL, 05/01/2018

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