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Carlito Lima
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20/08/2011
ESSA NEGRA FULÔ
 
Foi na sala de audiências do Fórum da Serraria, ela apareceu acompanhada da delegada de mulheres. A negra Benedita surgiu com seu permanente e debochado sorriso. A delegada mandou a moça contar a surra que levou do companheiro, o servente de pedreiro Severino, que ali se encontrava para depor sobre sua violência intempestiva e seu ciúme incontrolável quando viu sua mulher, Benedita, jogando futebol com a meninada da rua, na Chã da Jaqueira.
Severino arrastou-a pelo braço, entrou em casa esmurrando-a. Ele tinha um ciúme doentio pela singeleza e beleza silvestre de Benedita. Conheceram-se há três anos, quando Severino foi construir uma casa na praia do Pontal do Peba, foz do Rio São Francisco. Vieram morar na capital.
Como não teve infância, maior paixão de Benedita é brincar com os meninos da rua quase da sua idade. Por tudo isso, Severino tem essa doentia paixão e ciúme, proibiu sua amada de sair na rua e jogar com os meninos. Benedita ficava em casa acabrunhada, infeliz.
Certo tarde, debruçada na janela, assistia a meninada brincar de garrafão e jogar futebol. Não resistiu, com sua habilidade nata de atleta foi dar seus dribles e chutes certeiros junto aos moleques da rua. Severino retornou mais cedo. Quando viu sua mulher jogando com a meninada, puxou-a com seus fortes braços. Irado esmurrou a indefesa Benedita, que sofria, não pela dor, mas pelo ódio em não poder com Severino, um touro de forte.
Foi essa a história contada no Fórum ao juiz Dr. Caio Monteiro na presença do promotor. Era o último caso da carreira do magistrado. Havia solicitado aposentadoria aos 65 anos. O último caso da sua vida como juiz.
Dr. Caio, homem sério, correto e honesto, honrou a instituição. Bem casado há 33 anos, três filhos e três netos, viveu sempre para o lar. Em todo tempo de casado jamais prevaricou, fiel à esposa e a seus princípios.
Certa hora, a delegada pediu ao juiz e ao promotor para comprovar in-loco os edemas, as sequelas da surra de Severino. Na sala contígua entraram apenas os quatro. A delegada pediu à Benedita mostrar as manchas no corpo. Num átimo, sem pudor e sem maldade, a negra puxou o zíper, deixou cair o vestido de chita. Deu-se uma comoção ao surgir o corpo moreno perfeito, coberto por uma minúscula calcinha branca. Os seios duros e pontiagudos pareciam dois cuscuzes de chocolate. A lascívia exalada por Benedita deixou o promotor boquiaberto e o vestal juiz, Caio Barreto, encantado, excitado. A delegada, percebendo o impacto, o arraso causado nos machos, mostrou os edemas e pediu que a deusa negra se vestisse.
Foi o último julgamento do Dr. Caio Barreto. Houve separação, estipulou-se uma quantia do salário de Severino como pensão.
Dr. Caio aposentou-se. Ficou sem trabalhar algum tempo. Quando cansou do ócio foi trabalhar na banca de advocacia de seu filho. Certa manhã de sol, nosso juiz aposentado descia de carro a ladeira do Farol.
De repente seu coração acelerou, disparou, reconheceu entre os meninos que vendiam frutas e legumes a menina Benedita, de curto short e uma blusa leve. Caminhava dengosamente em direção a seu carro com quatro pacotes de feijão verde. Reconheceu o juiz, Benedita pulou de alegria e saiu-lhe um grito espontâneo: “DOUTOR!”. Entrou com a cabeça dentro do carro, com um sorriso encantador e o decote mostrando os seios mais lindos que Caio tinha visto em sua vida. Disse em voz clara, quase sussurrando: - “Doutor o senhor é um homem bonito, naquele dia tive vontade de lhe beijar. Sou muito agradecida pelo que fez. Se precisar de mim, dou o que o senhor quiser, é só pedir.” Caio emudeceu, engatou uma primeira, acelerou o carro, medo da tentação.
À noite, durante uma festa, o nosso artista global e poeta, Chico de Assis recitou o belíssimo poema de Jorge de Lima, Negra Fulô. Quando a voz de Chico cheia de sensualidade recitou os versos: “Essa negra FULÔ... essa negra FULÔ...” veio a imagem de Benedita, nua, na cabeça de nosso nobre e honrado juiz.
Decorreu um mês, Dr. Caio tem agora o que fazer na aposentadoria, montou apartamento no Tabuleiro para sua Negra Fulô.

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